Liderança na Academia

Não se ouve falar muito em liderança, ou como ser um bom líder, no meio acadêmico, né?

Vejo mas referências a liderança no contexto empresarial. E acho que devíamos falar mais disso no meio acadêmico também, afinal, assumimos papéis de liderança em várias situações, via de regra sem nenhum treinamento pra isso. E saber liderar (assim como saber seguir) é importante para atingir um objetivo, especialmente pensando em objetivos complexos envolvendo várias pessoas com visões diferenças.

Por liderança não quero dizer fazer pessoas seguir suas ordens ou a sua vontade. É algo mais complexo que isso (e acho que não sei o que exatamente quero dizer com isso rs). Não que eu entenda muito deste assunto, nunca o estudei exceto por uma videoaula três anos atrás.

Mas por que precisaríamos ter noções de liderança no meio acadêmico? Bom, o motivo mais óbvio pra mim diz respeito a orientação. Afinal, orientar significa de certo modo liderar alguém, com a dificuldade adicional de que o objetivo a ser atingido não é apenas o de quem orienta e nem apenas de quem é orientado, e sim uma combinação dos dois. Talvez seja em parte por isso que é tão difícil orientar e existem tantos conflitos orientando(a) – orientador(a): é difícil chegar a um objetivo quando o objetivo não está bem definido! Ele pode parecer bem definido para ambas as partes – só que as aparências enganam.

E, mais do que isso, orientar significa via de regra liderar um laboratório ou grupo de pesquisa. E grupos de pesquisa funcionam melhor tendo um objetivo – que aspectos do mundo queremos entender? Como queremos transmitir este conhecimento? Vamos focar nas publicações científicas, ou vamos dividir nosso tempo entre publicações e trabalho de extensão? É bom que essas coisas estejam bem claras para todos os membros do grupo e principalmente para quem o coordena. Isso inclusive permite que alguém que não se identifique com a visão do grupo procure um outro grupo onde se dê melhor, evitando futuros conflitos e desgastes.

Mas mesmo numa situação em que todos e todas concordem com a visão geral, haverá discordâncias. E acredito que o papel da liderança seja em grande parte lidar com elas. A questão é que via de regra não temos preparo para isso. Não somos preparados a lidar com pontos de vista diferentes, a ponderar as opções e a definir um caminho, seja em conjunto, seja de forma mais centralizada, estimulando as pessoas a seguir nele. Um grupo motivado funciona muito melhor, tanto como grupo quanto como indivíduos – manter esta motivação é outro papel de quem o lidera. Afinal, um grupo de pesquisa é formado por pessoas com diferentes objetivos, diferentes formações, e frequentemente muito orgulho e ideias próprias (afinal, não tem por que alguém sem ideias próprias estar na Academia, né? Trabalhamos com ideias mais do que com informações e dados).

Outra situação em que liderança é importante: trabalho de campo. Embora até seja possível fazer trabalho de campo por conta própria, é muito melhor, muitas vezes necessário, ter uma equipe, ou ao menos uma pessoa te ajudando. Esta equipe pode ser formada de mateiros ou de colegas de laboratório – ou até mesmo pessoas que se dispuseram a te ajudar em campo! Eu fui ajudado por muitas, muitas pessoas, inclusive por pessoas que eu não conhecia antes. Manter estas pessoas motivadas é importante, assim como ter um bom plano de trabalho e uma logística que maximize a eficiência do trabalho.

Dando um exemplo: você tem uma equipe de três pessoas que se dispuseram voluntariamente a te ajudar a marcar transectos e coletar serapilheira. Como dividir as tarefas, de modo a não sobrecarregar ninguém nem deixar pessoas sem fazer nada? Se o grupo for se dividir, como será a comunicação? O que fazer em caso de emergência? Não basta saber coletar os dados, é preciso saber explicar como fazer esta coleta para a sua equipe e manter a equipe motivada (afinal, se dispuser a ajudar alguém em campo e ter uma experiência pessoal ruim não é nem um pouco agradável). E acabado o campo, há outras tarefas, como fazer o jantar… Pensar e planejar as melhores formas de dividir o tempo e as tarefas, considerando as características dos membros da equipe, é essencial. Conversar sobre isso pode ser mais essencial ainda. Às vezes a divisão de tarefas ocorre naturalmente (aconteceu algumas vezes comigo), mas nem sempre.

Bom, queria poder indicar leituras a este respeito, mas infelizmente não conheço, então aceito sugestões! (Atualizarei o post com elas)

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