Organizando seu tempo para aumentar sua produtividade

Olás!

Quanto tempo né?

Estavam com saudades de mim?

Vou aqui lhes escrever um pouco sobre como organizar seu tempo. Especificamente, sobre como organizar seu tempo para aumentar a sua produtividade; quiçá até maximizar sua produtividade. Por “produtividade” eu quero dizer “quantidade e qualidade de coisas relevantes feitas em um intervalo de tempo”. O que são coisas relevantes? Bom, isso é com você! Para mim, coisas relevantes são as atividades acadêmicas que desenvolvo: escrever artigos, escrever post para este blog, preparar aulas, dar aulas, orientar pessoas, ler coisas que pessoas que oriento escrevem, revisar papers, etc. Talvez escrever papers para você não seja relevante – talvez o relevante seja, por exemplo, fazer trabalhos fotográficos lindos e divulgar eles; ou talvez seja traduzir coisas que outras pessoas escreveram; ou estudar coisas para conseguir um trabalho melhor no futuro; enfim. O meu enfoque é mais na vida acadêmica, mas talvez o que escrevo aqui seja útil para outras áreas (ou talvez não (e talvez nem seja útil pra área acadêmica; leia por sua própria conta e risco!)).

Não que eu seja especialista no assunto; mas é algo que tenho buscado me aprimorar. Estou me baseando essencialmente em três fontes: 1) cursos da Arata Academy que eu tenho feito – existem cursos pagos e também vídeos gratuitos, e recomendo fortemente que vocês os assistam, o Seiiti manja do que fala; 2) coisas que tenho lido por aí na internet, por exemplo em blogs da Nature e no Dynamic Ecology (isso e isso); 3) minha própria experiência.

Uma forma frequentemente considerada óbvia, tão óbvia que não deve nem ser discutida, porque é óbvia, né gente, de aumentar a produtividade é aumentar o tempo trabalhando. Aquela ideia de que “que faz pós-graduação não tem férias”, “pós-doc não tem férias”*, “estudante de IC não tem finais de semana”, “o que você faz da meia-noite às seis?”. Acho que a premissa é de que existe uma relação linear entre o tempo que se passa trabalhando e a produtividade, ou a quantidade e qualidade de coisas relevantes sendo produzida. Eu acho que essa premissa é falsa. A relação não é linear; talvez seja uma assíntota, mas eu acho que é uma relação quadrática – à medida que o tempo trabalhando aumenta, a produtividade aumenta até um certo ponto, e depois volta a diminuir ou, na melhor das hipóteses, estabiliza. Existe uma quantidade ótima de tempo trabalhando que maximiza a produtividade. Abaixo desse tempo ótimo, poderíamos sim produzir mais trabalhando mais. Acima desse tempo ótimo, a eficiência diminuiu e a produtividade, consequentemente, também.

De modo que eu defendo que tempo de descanso – férias, finais de semana, boas noites de sono – é importante não apenas para você ter uma vida mais feliz, mas também para aumentar a sua produtividade.

Mas Pav, você não está sendo, hum, contraditório aqui?

Desenvolva…

Você não está de férias?

Estooouu!

Então por que você está escrevendo um post pro anotherecoblog?

Porque deu vontade, uai! rs Escrever é legal. Eu gosto de escrever. Tudo bem que eu tinha planejado em escrever mais sobre a Noite durante as férias, mas minha vontade de escrever um post foi mais forte. Desculpa aí, Marcos! 🙂

Ou seja… A minha visão é: você não é e não deve e não pode ser obrigada/o a trabalhar durante seus períodos de descanso; mas você também não é obridaga/o a deixar de trabalhar durantes seus períodos de descanso, se trabalho é algo que lhe faz bem e é algo que você queira fazer!

Mas Pav, e se meus períodos de descanso são os únicos períodos em que posso trabalhar no meu artigo, porque o restante do tempo eu passo em um trabalho chato?

Então eu sugiro dividir seu tempo fora do trabalho em duas partes… Tempo de Escrever Artigos e Tempo de Descanso. Isso pode lhe ajudar, talvez, a produzir algo, descansar mais, e não ficar com peso na consciência ao estar descansando.

Afinal, descansar é diferente de procrastinar! Procrastinar é quando você devia estar trabalhando e está fazendo outras coisas. Descansar é quando você não devia estar trabalhando e está fazendo outras coisas.

Bom, antes de dar seguimento, uma enquete: quais dos seguintes aspectos da sua vida você diria que estão indo bem?

E agora uma segunda enquete: Em relação aos aspectos da sua vida que não estão bem, quais são os principais fatores responsáveis por isso?

É claro que nunca haverá um único fator responsável, é sempre uma combinação. Mas buscar isolar estes fatores pode ser interessante, porque pelo menos alguns deles podem ser melhorados, e a melhora de alguns deles depende principal, ou às vezes até unicamente, de você. Não que seja fácil. Mas, por exemplo, hábitos podem ser mudados, realizar um planejamento melhor é possível, e em alguns casos pode até ser possível falar com sua chefia pra ver se é possível mudar alguns aspectos do ambiente de trabalho, alegando que tais mudanças melhorariam a sua produtividade e isso deixaria todo mundo feliz. (Talvez eu esteja sendo um tanto utópico… Mas talvez não! Existem boas pessoas neste mundo.)

Bom, então, partindo para o principal tópico deste texto, que é como organizar seu tempo (ou talvez o tópico mude e eu mude o título ao terminar de escrever; tão bom escrever posts, com essa liberdade de escrever o que eu quiser e colocar parênteses onde eu quiser – quase e um estilo Gaimaniano, ou assim eu gostaria de pensar – e não ter que se preocupar em ser plenamente objetivo!), primeiramente uma pergunta:

Os seus objetivos estão claros na sua mente?

Digo isso porque é possível sim estar perdida/o mesmo que você não tenha para onde ir! E como organizar seu tempo vai depender de aonde você quer chegar, em curto, médio e longo prazo.

E é o planejamento a longo prazo que é o mais difícil, né?

Até uns anos atrás eu jogava jogos de computador; alguns destes jogos definiram minha personalidade. Talvez o jogo que mais me tenha marcado foi Fallout 2 – um jogo de RPG, em que você controla um personagem em um deserto pós-apocalíptico buscando salvar seu povo. Salvar seu povo é o objetivo final, não há nada além dele; e no meio do caminho aparecem quests menores, que de algum modo te ajudam a atingir o objetivo final, mesmo que seja só ganhando experiência.

Nisso o jogo se assemelha à vida. Temos um objetivo – entrar numa pós, ou terminar uma pós, ou se formar, ou arrumar um emprego… E temos vários quests menores – apresentar um seminário, submeter um artigo, coletar dados… Alguns destes quests parecem não ter relação com o objetivo final – por exemplo ajudar alguém em campo, ou aprender uma arte marcial, ou zerar Fallout 2 – mas ainda assim servem como ganho de experiência… Ao jogar Fallout 2, eu melhorava meu inglês; ao treinar artes marciais, eu melhorava meu foco; ao ajudar pessoas em campo, eu aprendia métodos e conceitos que me foram muito úteis ao avaliar outros trabalhos no futuro.

E eu lembro quando eu finalmente consegui zerar Fallout 2… Meu personagem não estava forte como eu gostaria que ele estivesse; mas neste jogo é possível usar, hum, substâncias ilícitas que dão mais força e agilidade ao seu personagem em um tempo curto, mas o enfraquecem depois. Então na batalha final eu usei tudo que tinha, deixei meu personagem bombadasso (essa palavra existe?), e derrotei o chefão. Depois meu personagem ficou mais fraco que uma planária sedentária; mas isso não importava, porque o objetivo havia sido atingido e o custo para atingir ele era irrelevante. You win, game over.

Nisso o jogo é diferente da vida.

Pois não adianta defender ou doutorado, ou publicar um monte de papers, ou passar no concurso, e acabar com sua saúde no processo. A vida continua. Temos que nos preparar para a continuação.

Existem períodos em que precisamos trabalhar muitas horas por dia, e deixamos de lado atividades físicas, consultas médicas, alimentação saudável etc. Isso é visto até como normal. Mas não devia – e, se for inevitável, deve ser bem esporádico. Se tal regime insano de trabalhos, sem tirar férias ou folgas, sem se divertir, apenas trabalhando trabalhando trabalhando, for a regra, e não a exceção, tem algo muito errado aí. E eu tenho convicção (e imagino que haja provas por aí) de que tal regime de trabalho, se prolongado, faz mal à nossa produtividade. Trabalhamos mais, mas produzimos menos, e de menor qualidade, do que se trabalhássemos menos. E ficamos mais infelizes. Ou seja, não existe nenhuma vantagem real.

De modo que, mais ou menos seguindo a Lei do Ótimo de Liebig, e repetindo o que falei no início do post, deve existir uma quantidade ótima de tempo que devemos passar trabalhando para maximizar nossa produtividade e nossa felicidade (e talvez as duas coisas ao mesmo tempo! Eu acredito ser possível, embora não em quaisquer condições). Tempo demais ou tempo de menos trabalhando não é legal. E sempre uma quantidade do seu tempo deve ser dedicada a descanso e a saúde. Afinal, seria bem triste atingir um objetivo master e de repente seu corpo falar, “cansei, não quero mais, see ya!”.

Então, assumindo que existe uma quantidade de tempo que devemos trabalhar durante uma semana, por exemplo, a questão é basicamente qual a melhor forma de distribuir esse tempo, e como otimizar nossa eficiência no tempo trabalhando. (Se alguém passa 12 horas por dia na frente do computador, mas fica alternando entre sua tese e seu facebook, o tempo efetivo de trabalho é bem menor que 12 horas, né?)

Eu trabalho via de regra entre 6 e 10 horas por dia, o que dá uma média em torno de oito horas. Para mim é um regime que tem funcionado bem. E eu evito trabalhar aos finais de semana, em feriados e nas férias – a não ser que dê vontade! Como já mencionei, eu acho que ninguém deveria ser obrigada/o a trabalhar fora do expediente de trabalho; mas ninguém deveria ser obrigada/o a não trabalhar. Afinal, muita gente gosta do que faz, e trabalho às vezes também vira diversão; e existem períodos da nossa vida em que trabalhar de fim de semana e em horários alternativos, por assim dizer, é necessário (tipo períodos intensivos de campo, ou finais de semestre, ou qualificação…). O que não pode acontecer é estes períodos serem a regra, e não a exceção.

Um detalhe: Se alguém trabalha olhando pro computador, e depois descansa jogando jogos de computador, isso é um descanso real? Eu diria que não. Falta contraste. Tempo de não-trabalhar deveria envolver atividades, ambientes e partes do corpo diferentes do tempo de trabalhar.

E tendo definido quanto tempo trabalhar, é legal definir onde e quando trabalhar. Isso é algo pessoal. Tem gente que trabalha melhor de tarde, outras de manhã, outras de madrugada. Se você prefere ou precisa trabalhar num laboratório, trabalhar de madrugada pode ser complicado; e se você trabalha na UFBA, trabalhar de tarde está sendo complicado no momento. Ou seja, tem que ver qual é a melhor forma de combinar os seus horários preferenciais com os horários possíveis no local de trabalho.

E descobrir o regime de trabalho é uma questão de tentativa e erro. Por exemplo, alguns dizem que se você começa o dia com alguma atividade física, seu rendimento é melhor. É provável que para muitas pessoas seja; para mim não funcionou – eu funciono melhor se começo o dia trabalhando. Percebi que quando eu treinava Kendo de manhã, eu demorava muito para entrar no ritmo de escrever a tese; por outro lado, se eu já começasse trabalhando, conseguia focar relativamente bem até o almoço. Mas fui em muitos treinos matutinos até perceber isso sobre mim.

Outra questão é como dividir nosso tempo de trabalho entre as 192788753 atividades que temos que fazer nessa vida acadêmica. Reparem que a quantidade de atividades vai aumentando com o tempo; mas o tempo disponível para fazê-las não aumenta. As únicas possibilidades então são melhorar a nossa eficiência e melhorar a nossa organização do tempo.

Além disso, me parece existir um limite de tempo que podemos passar em uma mesma atividade. Passar um dia inteiro escrevendo é difícil – uma possibilidade então é passar, por exemplo, duas horas escrevendo e o resto do tempo trabalhando em outras coisas, em um processo conhecido como snack writing. Escrita é um trabalho difícil que requer concentração e alguma inspiração e requer foco – portanto sugiro dedicar à escrita o seu tempo de maior eficiência, aquelas horas em que você está mais focada e com mais vontade de trabalhar e sente menos necessidade de abrir o instagram. Neste período dedicado à escrita, foque na escrita.

E frequentemente temos mais de uma coisa para escrever… Por exemplo, alguém fazendo seu doutorado pode estar simultaneamente trabalhando na tese, em um artigo do mestrado, em uma colaboração com coleguinhas, em um artigo da iniciação científica, em um texto de blog e em um texto de divulgação científica. E aí entra a questão, como dividir seu tempo de escrita e, em linhas gerais, seu tempo de trabalho entre essas diferentes atividades? [Update: ontem saiu um texto no Dynamic Ecology sobre alocação de tempo entre diferentes projetos]

Confesso que ainda estou descobrindo como fazer isso, mas a forma que eu sugiro de fazer isso é primeiro definir quanto tempo será dedicado a cada atividade, e depois definir metas dentro da atividade. Uma lista de coisas para fazer, ou to-do list, ajudaria nisso.

Então, digamos que você precisa dividir seu tempo entre os três pilares da Universidade – ensino, pesquisa e extensão.

Uma porção do tempo já está pré-definida: horários de aula, reuniões das quais você deve participar, trabalhos de campo, enfim. Digamos que essas atividades “fixas” ocupem uns 40% do seu tempo total de trabalho.

Sobram então 60% do tempo para distribuir entre as atividades. A questão agora é priorizar. Eu, por exemplo, dedicaria talvez 40% desse tempo remanescente à pesquisa (escrever artigos, revisar artigos, enfim), 40% ao ensino (preparar aulas e materiais didáticos e corrigir coisas – pois o tempo de ministrar aulas já é pré-definido), e 20% a extensão (como este blog). Orientação fica dividida entre pesquisa e ensino. Se em uma semana atividades de ensino tomam mais tempo do que isso, eu buscaria compensar me dedicando mais a outras atividades na semana seguinte. O importante é manter um equilíbrio.

Feita essa divisão de tempo, é hora de estabelecer metas. Quais as minhas metas de pesquisa? Talvez seja escrever um projeto para pedir financiamento e escrever uma primeira versão de um artigo. E de ensino? Bom, pode ser preparar algumas aulas e corrigir listas. E de extensão? Talvez escrever uns três posts e submeter um projeto.

E aí entra algo que aprendi em um dos cursos da Arata Academy. Digamos que definimos essas metas – talvez duas metas para cada área de atuação. Uma tentação seria, ao cumprirmos uma meta, já colocarmos outra no lugar dela. Mas isso é ruim – pois assim a segunda meta pode acabar sendo sempre deixada pro futuro. O esquema então é: se você definiu duas metas, não adicione novas metas até as duas terem sido atingidas. E para isso ser possível, não coloque metas que demorem tempo demais! O ideal é colocar metas que você demore tipo uma ou duas semanas de trabalho normal para atingir.

Minha sugestão, portanto, é ter uma lista de coisas para fazer separada para cada área de atuação. Se eu cumpri as metas de ensino, posso adicionar outras metas de ensino mesmo que as de pesquisa não tenham sido atingidas atinda, e vice-versa. Caso contrário uma parte da nossa atuação pode ficar estagnada. Ainda preciso testar este método 🙂

Mas e se eu não quero fazer pesquisa, e quero me dedicar exclusivamente a ensino e extensão?

A ideia é a mesma! Colocar metas para serem atingidas em cada umas dessas áreas de atuação, e definir o tempo dedicado a elas.

E se nos habituarmos a fazer isso, conseguiremos, com o tempo, avaliar de quanto tempo precisaremos para cumprir uma tarefa e, assim, se podemos assumir um compromisso ou não. É melhor recusar uma proposta – deixar de colaborar em um trabalho, ou de ministrar uma disciplina, ou de revisar um artigo – do que aceitar e não conseguir cumprir, ou cumprir com atraso, ou fazer um trabalho ruim. Não adianta fazer coisas demais se isso implica em deixar pessoas esperando ou deixar de cumprir o combinado não fazer um trabalho de qualidade. Isso também é algo que estou aprendendo a fazer melhor.

Outra questão importante é o grau de importância e de urgência das nossas atividades. Sempre existem aquelas atividades urgentes, que têm prazo curto. E existem também atividades importantes, que nos trarão benefícios a longo prazo, mas que não são urgentes. O risco é deixarmos as importantes de longo prazo de lado, focando sempre nas demandas imediatas. Uma sugestão então é dedicar religiosamente parte do seu tempo – pelo menos uma ou duas horas por semana – a atividades que lhe trarão benefícios de longo prazo, mesmo que não tragam um retorno imediato. Aprimoramento pessoal e estudo são exemplos de atividades assim.

Bom, então, finalizando e resumindo (acho que escrevi demais!), minhas sugestões de como aumentar a sua produtividade seriam essencialmente:

  1. Não aumente o tempo trabalhando além do tempo ótimo. Aumente sua eficiência.
  2. Se você precisa trabalhar em diferentes áreas de atuação, organize seu tempo entre elas.
  3. Trabalhe com metas, e evite assumir novas metas antes que as metas anteriores tenham sido atingidas.
  4. Saiba quando dizer sim e quando dizer não!
  5. Não perca de vista o planejamento de longo prazo.

Pretendo escrever mais sobre o assunto no futuro…

E eu adoraria que vocês, leitoras e leitores, comentassem abaixo o que acharam disso tudo que falei aqui e como vocês organizam seu tempo e conciliam as inúmeras atividades que temos que fazer nessa vida. 🙂

* Eu tive férias durante meu pós-doc! E minha supervisora concordou com isso! ❤

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17 pensamentos sobre “Organizando seu tempo para aumentar sua produtividade

  1. Pavito!
    Amei o texto!
    Ando querendo muito melhorar essas coisas. Há uns 3 anos não procrastino durante o trabalho, mas meu currículo ainda é muito fraco. Algo devo estar fazendo de errado.
    Uma das coisas que erro é não tirar férias e nem feriados, e nem alguns fins de semana. Vamos ver se consigo mudar.

    • Oi Ladi!
      Obrigado! 🙂
      É bom comum isso, né – trabalhar muito mas ter uma produtividade baixa… Pode indicar que precisamos mudar de estratégia! Nossos cérebros não funcionam bem quando cansados, assim como nossos corpos. É por isso que feriados existem, né? Me surpeende como no mundo científico nos esquecemos disso, e usamos uma abordagem totalmente não-científica para definir como trabalhamos…
      Em relação especificamente à publicação de artigos, acho que também muitas vezes demoramos demais para submeter algo. Esperamos produzir algo perfeito, sendo que algo bom já seria suficiente, e reviewers nos ajudariam a chegar mais perto de algo ótimo. É uma questão de custo (em tempo) – benefício (em qualidade do trabalho): se o tempo necessário para aumentar a qualidade do artigo é muito grande, é sinal de que está na hora de submetê-lo. Ou, se não estiver submessível, deixar um tempo de lado e trabalhar em coisas mais fáceis, até adquirir conhecimentos e habilidades para melhorar ele. Foi o que fiz com o primeiro artigo do meu doc – trabalhei em outras coisas, mas simples, e só publiquei ele agora, quatro anos depois de defender. Detalhe: as outras coisas em que trabalhei acabaram sendo até mais interessantes. 🙂

  2. Pav

    Amei o texto! Acho válido também lembrar que gerenciamento de tempo não adianta se não gerenciarmos nossa energia. Que tal um post sobre isso?

    bjo!

    • Oi Milene!
      Obrigado! 🙂
      Sabe que não havia pensado em gerenciamento de energia? Não sei se sei escrever a respeito, mas sim, faz sentido… Eu pensaria em termos de motivação: fazer coisas que lhe motivam, e, nos intervalos, fazer coisas que lhe desmotivam profundamente mas que precisam ser feitas. Trabalhar apenas em coisas desmotivadoras é altamente frustrante… Inclusive o próximo post em que eu ia trabalhar é sobre motivação! 🙂
      Portanto, obrigado pela dica!
      (Assim, nada garante que eu escreva sobre motivação, porque sou um tanto aleatório, mas pretendo rs)
      Bjos!

  3. Sim. Procrastinar é uma tendência! Dizer sim para outros tantos projetos que a gente ama quando deveríamos dizer: _agora não. Um projeto de cada vez. Tudo ao seu tempo! É outra tendência! Contudo, planejar pra obter resultados é difícil quando dependemos na maior parte das vezes dos outros. Por exemplo, quando trabalhamos duro para concluir um projeto e as demais partes falham. E você ter que recomeçar e refazer quando não é para aperfeiçoar! Retrabalho é a pior sensação! O equilíbrio para o melhor uso do tempo é o dom mais precioso! E enquanto mais o seu sucesso depende da coletividade (companheiros, filhos, funcionários, prestadores de serviços) maior o seu malabarismo!

    • Acabei de fazer um curso de gestão pessoal e organizar meu tempo (e minha vida) parece ser a ordem da vez. Obrigada super pelas dicas! E sim, vc escreveu muito, e sim, foi uma boa “justificativa” pra trabalhar nas férias 🤭

    • Acabei de fazer um curso de gestão pessoal e organizar meu tempo (e minha vida) parece ser a ordem da vez. Obrigada super pelas dicas! E sim, vc escreveu muito, e sim, foi uma boa “justificativa” pra trabalhar nas férias 🤭

      • Obrigado, Iky! Que legal que você também faz esses cursos 🙂 Foi presencial ou online? Pra mim esses cursos têm sido bem úteis, inclusive pra me sentir melhor! Fiz o primeiro porque estava me sentindo muito improdutivo e deprimido, e foi bem legal.
        Trabalhar nas férias às vezes é legal! Uma vez eu tava em casa, era tipo 30 de dezembro, eu estava totalmente entediado e pensei, “Acho que vou organizar os dados de microclima!”. Passei o dia trabalhando na planilha, me diverti fazendo isso, e depois foi “só” analisar. A próxima vez que consegui pegar neste paper foi tipo dois meses depois!

    • Oi Soraya!
      Concordo com o que você disse! Assim, é importante ter projetos que dependem exclusivamente ou quase exclusivamente de você, e escolher bem com quais pessoas trabalhar.
      Por exemplo, uma falha que vejo por vezes é pessoas esperarem muito tempo por uma resposta do orientador ou da orientadora e não trabalharem no artigo nesse tempo. Não é porque você enviou uma versão para ser corrigida que você não pode ir trabalhando para melhorar essa versão!
      E se dependemos muito de outras pessoas, isso pode indicar falhas no planejamento inicial, em não termos criado um projeto que dependa mais de nós… 🙂

  4. Adorei, Pavel! Eu, por exemplo, não abro mão da minha dança, pois já entendi que eu preciso disso pra ser feliz. Se eu paro as atividades físicas eu me sinto rapidamente deprimida e começo a “odiar” o trabalho. Esse ano está complicadíssimo porque como o meu pós-doc é de 1 ano, eu quis otimizar esse tempo e muitas vezes deixei de lado a questão do meu bem-estar. Não deu certo e eu surtei, óbvio! Eu estava focando em uma só parte do meu trabalho e vendo outras coisas que eu considerava menos importante se acumularem. Com isso, eu nunca tinha nada “pronto” e comecei a ficar muito angustiada. Por sugestão do meu supervisor, eu comecei a usar metas menores e dividir melhor o meu tempo (não de forma tão sistemática como vc sugeriu. Vou testar seu método!). A felicidade de “riscar” algumas pequenas metas atingidas foi me devolvendo o entusiamoso pra trabalhar, o que consequentemente fez a minha produtividade aumentar. Sendo assim, pequenas metas e atividade física, além de finais de semana livres (exceto em caso de deadlines importantes), tem sido o meu método de trabalho feliz 🙂

    • Oi Ju!
      Obrigado! 🙂
      Pois então, parar de fazer atividades de que se gosta pode ser uma estratégia para maximizar a produtividade a curto prazo, mas não se sustenta por muito tempo… Podemos pensar nisso talvez como um acúmulo de reservas energéticas, rs. Quando nos divertimos, fazemos atividades físicas etc, isso nos dá um aumento de ânimo momentâneo e também uma reserva energética, por assim dizer. Mas a reserva energética eventualmente se esgota!
      Lembro uma vez, na graduação, que decidi investir toda minha leitura em coisas acadêmicas. Chegou relativamente rapidamente um ponto em que eu não conseguia nem olhar pro Barnes, tava bem deprimido… enfim. Aí passei uma tarde lendo Dragonlance e me recuperei! \o/
      Até ser professor eu não dividia meu tempo de forma assim sistemática; a única coisa que tentava fazer era dedicar as sextas-feiras a coisas de extensão, mas isso nunca dava certo. Mas comecei a perceber que, com o aumento de diferentes tarefas, uma sistematização pode ser necessária… E riscar coisas da to-do list é uma sensação muito boa! 🙂

  5. Legal o texto, Pavel! Parabéns! Eu sempre me interesse por este tema. Fiz um curso no coursera bem legal sobre isso chamado “aprendendo a aprender”. Recomendo. Um grande abraço.

    • Oi Fê! Obrigado! 🙂
      Eu tinha feito um curso do Seiiti chamado “Como aprender mais rápido”. Foi legal fazer ele! Vou ver esse do Coursera depois, obrigado!
      Caso você queira escrever algo a respeito pro anotherecoblog, seria legal!
      Abraço!

  6. Adorei o texto Pavel!
    Me senti tão contemplada em diversas partes do texto, principalmente sobre trabalhar com diferentes temas ao mesmo tempo e saber separar isso. As dicas vão ser super uteis. 🙂

    • Oie!
      Que bom! 🙂
      Conciliar diferentes temas é uma arte, rs. Uma arte que começamos a aprender no doutorado! No meu doc eu tinha que trabalhar em artigo do mestrado, artigo da IC, coisas do doutorado, e uns outros trabalhos paralelos que desenvolvemos. Ah, e coletar dados para o doutorado, triar serapilheira infinita que coletei no mestrado, e coletar dados para os trabalhos paralelos que desenvolvemos. Era um pouco mais fácil porque eu não havia mudado de orientação, mas ainda assim, era uma arte decidir no que trabalhar em um dado momento 🙂

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