Ecologia do Fogo

Você já viu como fica a mata atlântica depois de um incêndio?

Assim.

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Área de mata atlântica alguns meses depois de um incêndio, no Refúgio de Vida Silvestre de Una, BA. (#pracegover: a foto mostra uma área com uma cobertura verde em uma altra relativamente baixa e com vários troncos de árvores, em pé mas sem folhas).

Essa samambaia enorme que ocupa praticamente toda a área é o Pteridium arachnoideum (popularmente conhecido por samambaião ou por feto), uma samambaia que, embora seja nativa, é considerada superdominante – ou seja, em certas condições ela acaba dominando completamente uma área, podendo causar sérios impactos às outras espécies. (Por outro lado, exite ao menos um estudo que parece indicar que ela também favorece a regeneração, ao amenizar a temperatura debaixo dela).

O que acontece com a floresta depois? Como é a regeneração dela? E em outros ambientes, o fogo tem o mesmo efeito? O impacto depende do tipo de incêndio? E o que, afinal, provoca os incêndios nestas áreas?

Isso e outras questões são as abordadas por uma área da ecologia conhecida por Fire Ecology, ou Ecologia do Fogo.

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Dicas para iniciantes. Atenção aos insights!

Este é um post se-convidado, escrito por Marcela Marega Imamura, a Sereia dos Botos doutorando em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela UESC.

Durante a pós-graduação, temos que conciliar 666 (não fui eu que escolhi esse número áureo) atividades simultaneamente. Dentre as principais estão: disciplinas, campo, escrita, reuniões, procura de financiamento, qualificação, estágios.

Sem contar algumas atividades pessoais clássicas: com casa, cachorro, família, problemas de família, ficar rico e pobre na mesma semana, exercícios físicos para não enlouquecer, ter uma praia sedutora te olhando (#whiteprob), se virar do avesso para não perder sobrinho nascer lá em outro estado etc.

O barulhinho do pós-graduando no final é que há muitas disciplinas a cumprir, e muitas vezes não conseguimos focar nas atividades do projeto em si antes de finalizá-las. Bom, o mestrado/doutorado não se resumem ao projeto, mas, projeto é parte essencial do mestrado/doutorado.

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Iniciando um projeto de pesquisa

Acho que “Escreva um projeto” é uma das frases que aspiras a cientista mais ouvem, em qualquer nível, desde a graduação até o doutorado. Depois paramos de ouvir essa frase porque já ficou tão impregnada na nossa mente que não tem muito por que continuar falando.

E aí de repente alguém que nunca escreveu um projeto na vida, ou nunca escreveu um projeto daquele tipo na vida, se confronta com uma grande questão: como transformar um grande Nada em um belo e idealmente financiável Projeto.

Pois quando se ouve “Escreva um projeto”, frequentemente não existe um ponto de partida, ou, caso exista, é um ponto de partida com o qual a pessoa não está familiarizada. E, num ato de (sub)criação, espera-se que onde apenas Nada havia, um Projeto seja criado.

Pessoa tentando transformar um Nada em um Projeto, este texto é para você. 🙂

E a primeira coisa que quero lhe dizer é: o Nada na verdade não é um Nada. Existe sim um ponto de partida, mesmo que você não saiba qual é. Este ponto de partida é o seu conhecimento prévio, os seus interesses e a sua curiosidade.

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Harry Potter e os Fatores de Confusão

Carta aberta ao Diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts

Tenho plena convicção de que um clube de duelos melhora o desempenho de jovens aprendizes de bruxaria e magia em Defesa contra as Artes das Trevas. Afinal, achar bons professores para essa disciplina tem sido cada vez mais difícil em Hogwarts, e métodos alternativos de ensino se tornam uma necessidade real.

No entanto, sinto que, por mais convicção que tenhamos, neste assunto precisamos também de provas ou, no mínimo, de evidências. Afinal, do jeito que o Ministério da Magia estava chato cheio de frescuras traíra exigente nos últimos tempos, a criação de um clube permanente de duelos mágicos precisaria ser bem embasada.

Por sorte, trouxas (caso essa carta seja porventura lida por pessoas não entendidas, explico: trouxas são pessoas incapazes de realizar magia. Não fui eu que criei o termo!) desenvolveram uma série de métodos para fazer avaliações como essas. Trouxas demoninam essas artes de Estatística, e de Desenho Amostral; devo lhe dizer que nomes como Aparatação e Aritmância me são muito menos estranhos! Mas, fazer o que. Também duvido que alguém no Ministério da Magia saiba interpretar uma análise estatística; mas isso não vem ao caso.

Como então avaliar a eficácia de um clube de duelos para o ensino dessa disciplina tão importante, de forma quantitativa?

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Interpretando resultados estatísticos

Digamos que você realizou um estudo sobre, hum, a relação entre dragões e unicórnios. Especificamente, digamos que você queria saber se unicórnios evitam áreas habitadas por dragões ou, de forma mais geral, como é a relação entre a abundância de dragões e a abundância de unicórnios em uma dada área.

Você pode ter feito esse estudo de diferentes maneiras, partindo de diferentes abordagens ou filosofias de pesquisa.

Por exemplo, você pode ter feito um estudo descritivo – e sim, estudos descritivos são plenamente válidos e sim, eles podem ser publicados. Reparem que estudos descritivos também precisam partir de uma pergunta interessante: “Vou fazer uma lista de espécies [de dragões e unicórnios] desta área porque ela é perto da minha casa” não tem uma pergunta interessante, mas “Vou fazer uma lista de espécies desta área porque ela me parece ser uma mistura idiossincrática de cerrado, caatinga e restinga e deve ter uma fauna única de unicórnios e dragões” talvez tenha.

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