Dicas para iniciantes. Atenção aos insights!

Este é um post se-convidado, escrito por Marcela Marega Imamura, a Sereia dos Botos doutorando em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela UESC.

Durante a pós-graduação, temos que conciliar 666 (não fui eu que escolhi esse número áureo) atividades simultaneamente. Dentre as principais estão: disciplinas, campo, escrita, reuniões, procura de financiamento, qualificação, estágios.

Sem contar algumas atividades pessoais clássicas: com casa, cachorro, família, problemas de família, ficar rico e pobre na mesma semana, exercícios físicos para não enlouquecer, ter uma praia sedutora te olhando (#whiteprob), se virar do avesso para não perder sobrinho nascer lá em outro estado etc.

O barulhinho do pós-graduando no final é que há muitas disciplinas a cumprir, e muitas vezes não conseguimos focar nas atividades do projeto em si antes de finalizá-las. Bom, o mestrado/doutorado não se resumem ao projeto, mas, projeto é parte essencial do mestrado/doutorado.

A grande verdade é que parte do aprendizado é justamente como conciliar essas 666 coisas que temos que fazer simultaneamente (Dodonov 2019, comm. pess.).

Apesar de as atividades de campo estarem provavelmente paradas durante a participação das disciplinas, a revisão do texto e o delineamento do projeto são processos que podem e devem ser realizados de maneira contínua, e podem ser otimizados durante outras atividades. Mas como?

Uma das disciplinas dentro do nosso escopo (PPGECB) é a prática da aula em ‘Seminários’. Se houver a possibilidade de escolher algo relacionado ao nosso projeto, já é possível dar aquele up na revisão da literatura. Por outro lado, também é importante fazer disciplinas fora da sua zona de conforto, e isso pode expandir horizontes (#Dodonovaconselha).

É aí que entra o ponto de discussão: como não acumular trabalho e manter o projeto atualizado?

E se eu disser que devemos nos ater a ainda mais trabalho!?

Vamos a 5 principais técnicas e hábitos que você deve adotar durante sua vida acadêmica para estar sempre atento e garantir a melhoria da sua pesquisa/escrita:

1 – Congressos e disciplinas

Fique ligado e participe de congressos, cursos, palestras e disciplinas de outras pós-graduações. Eu sei que você está pensando “impossível, as atividades da pós estão me corroendo e não tenho tempo para atividades extras. Muito menos dinheiro!”. Mas, é aí que está o ponto: essas atividades não devem ser vistas como extras e nem sempre será necessário investir muito dinheiro para participar. Há maneiras de participar on-line, frequentar apenas alguns dias que abordarão temas mais pertinentes, participar como ouvinte ou mesmo combinar de juntar os colegas que foram nessas atividades uma discussão para contar suas impressões e principais aprendizados. Desses debates, tanto sua pesquisa quanto de seus colegas, podem ser adiantadas a partir de muitas ideias que certamente irão surgir.

2 – Grupos de discussão on-line

Como exemplo, existem grupos de e-mails voltados a uma determinada área. Procure se inscreva em algum deles. Você poderá acompanhar publicações de artigos fresquinhos e, possivelmente, outras pessoas que estão propondo pesquisas bem semelhantes à sua. Além de divulgações de congressos e encontros. Esteja atento a essas possibilidades e não hesite em entrar em contato diretamente com outros pesquisadores para tirar dúvidas que podem surgir.

Alguns exemplos:

  • Marmam – Lista de e-mail para pesquisadores e gestores que trabalham com mamíferos marinhos.
  • SCB Marine Section List – Discute sobre a ciência, a pesquisa e a política pública de conservação marinha.
  • Lista de emails do software Past – Um ótimo lugar pra dúvidas básicas e avançadas de estatística

(nos conte nos comentários se conhece mais alguma lista legal!)

3 – Grupos de discussão físicos

Se já está inserido em algum, frequente as reuniões! Outro possível caso que ocorre, é que muitos pesquisadores não possuem um espaço físico (laboratório, sala de reuniões própria) ou encontros periódicos com os irmãos-orientados (i.e. aqueles colegas que são orientados pelo mesmo orientador que o seu). Se estiver nessa situação, proponha então você esses encontros! Neles poderão ser expostos os anseios, debatidos projetos e apresentadas ideias suas e de seus colegas. Garanto que se sentirá acolhido, e daí poderão sair descobertas e compreensões que auxiliarão fluir seu projeto, além de parcerias geniais. Diversas vezes, foi nesses encontros que descobri que eu e colegas estávamos trabalhando em assuntos totalmente complementares e não fazia o menor sentido não juntarmos os esforços no campo, e quem sabe, posteriormente, juntar os dados para um artigo.

Ótimo post sobre isso: https://anotherecoblog.wordpress.com/2013/03/29/grupos-de-discussao/

4 – Redes sociais e ferramenta de gerenciamento bibliográfico

Existem duas principais redes sociais acadêmicas: academia.edu  e ResearchGate. Nelas, você preenche seu perfil de pesquisador, e pode seguir instituições e pesquisadores para ter acesso a: produções e atividades acadêmicas (livros, artigos, resumos de eventos), perguntas e respostas acadêmicas, projetos de pesquisa concluídos e em andamento, anuncio de vagas de emprego e de bolsas de pesquisa. (Pavel complementa: você também pode colocar lá material que você produz, inclusive material didático, e ficar feliz ao ver que pessoas estão baixando seu material!)

O perfil do Google Acadêmico permite stalkear artigos. Se publicou algum artigo, já pode criar o seu perfil no serviço para monitorar e gerenciar os seus trabalhos e citações para os seus artigos.

Recomendo participar em pelo menos uma delas e explorá-las uma ou duas vezes na semana.

Já o Mendeley, como já foi discutido, é uma ferramenta essencial para facilitar sua organização bibliográfica (e indico utilizá-la desde a fase inicial do projeto). Mas além dessa função, ao estar cadastrado, você pode apontar em seu perfil qual seus temas de interesse, e você receberá em seu e-mail artigos recentemente publicados da área.

5 – Leitura de revistas e livros não acadêmicos

Por último, tenha/não perca o hábito de ler livros e revistas não acadêmicas.

Se você quer escrever bem, deve ler coisas diferentes daquilo que pretende escrever (Neil Gaiman apud Dodonov comm. pess.!)

Revistas de divulgação científica para público em geral como Scientific American e National Geographic, livros de histórias, ficção, romance, poesia. Ajudam bastante para desenvolver a criatividade e escrita!

Esse hábito alimenta sua capacidade de narrativa, argumentação e gramática. O melhor texto é aquele que é direto (dosar de maneira que nos conte uma linda história hehe), claro e compreensível para uma diversidade de leitores. Sair um pouco da zona (P.S. ahan eu sei) de leitura de artigos científicos trará ótimas ideias e inspirações.

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Durante o meu mestrado, eu disse não muitas vezes para atividades como essas, para ficar em casa adiantando a escrita. #Sabedenada, muitas vezes ela simplesmente não vinha, afinal, de onde viria a inspiração? Para o meu doutorado eu prometi que faria diferente. Equilíbrio entre nãos e sims, conhecimento dos próprios limites e tudo flui!

Vale ressaltar, que todos esses pontos citados acima, não devem ser aplicados apenas na sua área de pesquisa. É abrindo-se para novas temáticas e especialistas que virão os insights (i.e. compreensão repentina de um problema, intuição a partir de elementos que levam a uma solução) ou serendipities (i.e. ato ou capacidade de ter grande ideia ou descoberta por mero acaso, sem serem o alvo direto de busca). Esses poderão ser claramente aplicados na sua pesquisa, mas, principalmente trazer ideias e networking para sua futura carreira profissional.

A principal prática geral dentro desses hábitos a serem adotados é sempre anotar instantaneamente as novas ideias que surgiram. Seja no bloco de notas do computador, no celular, ou em um caderno. De tempos em tempos, quando parar para realizar a escrita em si, você irá se surpreender como ela fluirá a partir dessa “bagunça” de ideias.

Direcionamento e planejamento

Como muitas baixamos artigos aleatoriamente, enquanto estamos em meio a outra atividade – e não necessariamente durante o momento em que estamos fazendo uma leitura minunciosa ou escrita em si – uma técnica irá facilitar muito para esses momentos oportunos:

Logo que baixar o artigo, passe o olho rapidamente no título e resumo, escreva em um bloco de notas no próprio arquivo.pdf, alguma frase ou motivo que o levou a baixá-lo.

Um exemplo hipotético, li um título ou resumo de artigo sobre gato-maracajá, que é meu objeto alvo de estudo. Ele me chamou atenção, não porque preciso ler sobre a espécie ou sobre a área de estudo, isso já está encaminhado no meu texto, mas, porque ele usou uma técnica de coleta de dados diferente da minha e encontrou resultados que podem ser muito diferentes do que vou encontrar. Neste caso colocaria neste bloco de notas “ler sobre o método X” ou “leitura para a discussão”. Parede óbvio, mas quando paramos para escrever, ao invés de ler todas as seções, artigo por artigo, um direcionamento claro de para onde devemos olhar e avaliar, otimiza muito nosso tempo e nos tira daquele famoso “quanta coisa que juntei! Por onde começar?”.

Outra prática que facilitará bastante a sua escrita é conforme for fazendo a leitura desses artigos ir planilhando no excel. Nas colunas coloque o nome do autor, seguido da metodologia, do principal resultado que encontrou (esses tópicos dependerão da sua área de interesse) e colar nas linhas os dados e frases que contém essas informações. Principalmente no momento de discutir seus resultados, verá que já tem a faca e o queijo e só faltará cortar!

Segue exemplo de parte de uma planilha que utilizei no meu mestrado.

marcela02

Ah, sim! Como fui me esquecer, fique atento as dicas nas postagens de blogs tão esclarecedores como esse!

Boa trajetória!

6 pensamentos sobre “Dicas para iniciantes. Atenção aos insights!

  1. Gostei muito desse texto. É importante que escrevam isso, principalmente para nós que estamos começando a carreira agora. Dicas muito importantes que me ajudaram muito.

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