COVID-19, crescimento exponencial e crescimento logístico

No post de semana passada, sobre crescimento exponencial, eu ajustei uma curva de crescimento exponencial ao número de casos de COVID-19, no Brasil, por dia. Segue abaixo essa curva novamente, com os dados até o dia 17 e a previsão até a data de ontem, quando este texto foi escrito (existem pequenas diferenças em relação ao texto da semana passada porque a fonte de dados originais mudou, mas é uma diferença de poucos números e não altera o padrão geral):

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Ajuste de curvas pode ser usado para prever o que irá acontecer no futuro, caso o padrão se mantenha – e neste caso, o futuro chegou! Vamos ver se essa previsão (baseada num modelo extremamente simples, ajustável com uma única linha de código em R) se cumpriu?

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Em preto estão os dados usados para ajustar a curva e em vermelho os casos mais recentes de COVID-19. Acho que a minha previsão era otimista demais… Mas esse exercício serviu para mostrar que é possível, sim, usar crescimento exponencial para fazer uma previsão aproximada do que pode acontecer quando uma doença viral se expande de forma, bom, exponencial. E ainda tem gente dizendo pra sair de casa e voltar à vida normal… Aiai.

Detalhe que deve haver muito caso não notificado – ou seja, o crescimento é provavelmente ainda mais alto do que estamos vendo!

Mas e a mortalidade? Como fica a mortalidade deste “resfriadinho” (#ironiaModeOn (tem que explicitar porque vai que alguém acha que falo sério quando falo “resfriadinho”, né?))? Vamos ver se conseguimos ajustar uma curva exponencial a ela…

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Dinâmica de populações, crescimento exponencial e coronavírus

Agradeço a meu colega professor Eduardo Mariano Neto por comentários em uma primeira versão deste texto. 🙂

Meus objetivos com este texto são 1) usar a pandemia do COVID-19 para discutir alguns conceitos básicos de ecologia de populações e 2) usar estes conceitos de ecologia de populações para discutir a importância de reduzir o contato social em época de coronavírus e pandemias. Os modelos matemáticos que apresentarei aqui são simplificações extremamente simplificadas do que está acontecendo, mas, como todo modelo, podem servir para auxiliar um pouco no entendimento. Não tenho nenhuma formação em epidemiologia, mas acho que sei o suficiente sobre dinâmica de populações para escrever algo interessante e potencialmente útil.

Especificamente sobre o COVID-19, eu recomendo este texto da Renata Muylaert (uma ecóloga que fez um doutorado lindo sobre doenças infecciosas) e este material preparado pela pós-graduação em Microbiologia da UFBA. Esta matéria no Washington Post exemplifica o efeito do isolamento social sobre as taxas de infecção por uma doença e esta postagem no Dynamic Ecology discute a pandemia de um ponto de vista ecológico (e foi uma das principais inspirações para eu escrever este texto).

Importante: os gráficos e simulações que apresento aqui são pra exemplificar o que teoricamente pode acontecer, e não devem ser consideradas estimativas precisas do cenário atual! Existem estimativas muito mais precisas feitas por pessoas muito mais capacitadas que eu e levando em conta mais informações. Meu objetivo aqui, como falei, é explicar alguns conceitos de ecologia de populações e como eles podem ser aplicados a infecções virais.

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Sobre saúde mental na Universidade

Observação: Já faz um tempo que quero escrever sobre o assunto. No entanto, eu não tenho qualquer formação na área e também não tenho lido tanto assim sobre isso. Ou seja, é provável que eu não saiba do que estou falando 🙂 Escrevo baseado na minha própria experiência e coisas que venho pensando. Não assumam que essas coisas façam sentido e nem entendam esse post como uma opinião qualificada sobre o tema.

O tema de saúde mental no meio acadêmico é algo que tem sido até que bastante discutido atualmente; e na real nem sei se tenho algo novo a contribuir sobre o assunto. Mas isso nunca me impediu de escrever algo antes, então… 🙂

O meio acadêmico é um meio estressante; não tenho vivência pra dizer se é um meio mais estressante ou menos estressante do que outros, mas o fato de ser estressante é, bom, um fato. O que não impede este meio de ser um meio lindo! Um meio lindamente estressante, ou estressantemente lindo? Ou apenas estressante e lindo ao mesmo tempo? Acho que nunca tinha pensado nisso com essas palavras, mas acho que faz sentido, ou não…

Mas por que a carreira acadêmica é tão estressante? Bom, eu acho que tem diversas questões envolvidas; mas, numa primeira tentativa de sistematização, eu hipotetizo que três motivos importantes são: sobrecarga; falta de empatia; e organização pouco eficiente.

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