Dicas para aprender inglês

Caso você prefira ouvir ao invés de ler esse texto, uma versão em áudio (mp3) está disponível clicando aqui

…Eu ia escrever mais sobre temas ecológicos esses tempos. Mas não estou com muita vontade, então, seguindo os resultados de uma rápida pesquisa de opinião que fiz, decidi escrever um post com dicas de como estudar inglês! Já ouviram falar de procrastinação produtiva? É quando você faz algo importante como forma de deixar de fazer outra coisa importante. Esta postagem é um exemplo disso. 🙂

Não vou escrever sobre exames (TOEFL etc) porque eu pessoalmente não acredito em estudar para exames… Acredito em estudar para aprender algo, e ir bem no exame é mera consequência.

E também não sei se sou uma boa pessoa pra falar sobre isso porque eu fiz curso de inglês (CCAA) durante vários anos; mas, por outro lado, embora importante, eu não acho que o curso sozinho tenha sido suficiente, e talvez ele nem tenha sido o mais importante pra eu aprender inglês. Foi importante, sim; mas eu acredito que é possível aprender sem fazer um curso formal, especialmente se houver pessoas que lhe possam dar um retorno sobre aspectos do que você fala, escreve e entende. Aqui vou dar umas dicas com base na minha própria experiência, que pode fazer sentido para você ou não.

Bom, o primeiro passo é adquirir uma base, e para isso fazer um curso (que pode ser presencial, ou virtual, ou de forma autodidata com livros) pode ser importante. Algo equivalente a um curso básico ou introdutório. Aprender a estrutura gramatical básica, adquirir um vocabulário, começar a entender a pronúncia. Então se você não tem base alguma de inglês, eu sugiro procurar um curso básico e se dedicar a ele, mesmo que seja por conta própria, apenas você e um livro. O inglês tem a vantagem de usar o mesmo alfabeto que nós, o que simplifica bastante o trabalho! Não é que nem, sei lá, aprender coreano (alfabeto fonético com as letras organizadas em blocos silábicos) ou árabe (quase todas as letras tem quatro formas diferentes, dependendo se ocorrem no começo, meio ou final da palavra, e a escrita é da direita pra esquerda).

E caso você já tenha essa base – algo suficiente para você começar a se aprimorar – eu acho que, caso você realmente queira aprender inglês (ou qualquer outra língua), o fator-chave é imersão. O que não significa morar seis meses num país de língua inglesa! É claro que isso ajuda, mas não acho que seja essencial; e, por outro lado, morar num país de língua inglesa junto com pessoas que falam a sua língua pode tirar muito da imersão do processo. Quando morei no Canadá eu praticamente não interagi com pessoas do Brasil (nem da Rússia, rs); não via muito sentido em ir pra outro país e ficar interagindo com pessoas daqui.

Mas como é possível ter uma imersão em outra língua estando no Brasil? Bom, eu acredito muito em unir o útil ao agradável e em aproveitar todas as coisas da vida (ou boa parte das coisas da vida) como oportunidades de aprendizado; e em se tratando de línguas tem que ser um aprendizado contínuo, para não esquecermos o que já aprendemos e para que se torne algo natural. E em relação ao inglês isso é relativamente fácil, porque em toda parte vemos coisas em inglês. Não é que nem, sei lá, coreano – já tentaram baixar um videogame em coreano? Eu já, mas o patch de Starcraft em coreano foi demais pra mim 🙂

Ao fazer ciência estamos sempre lendo artigos, boa parte das quais está escrita em inglês. Isso por si só já é um treinamento; especialmente se conseguirmos resistir à tentação de traduzir pelo Google Tradutor e tentarmos entender por conta própria, olhando palavras específicas no dicionário. Pode demorar umas 666 vezes mais para conseguirmos entender um texto, mas com o tempo vamos memorizando as palavras e precisando usar cada vez menos o dicionário.

Mas artigos científicos, embora úteis, não são exatamente a leitura mais agradável do mundo… Por que então não procurar coisas em inglês que sejam de leitura agradável? Leia literatura em inglês! E ao ler literatura por diversão, não há problema se não entendemos algumas palavras – mesmo assim provavelmente conseguiremos captar a mensagem geral. Dá pra ler um texto sem entender algumas palavras dele; e se for uma palavra que aparece de forma recorrente, você pode aprender o seu significado pelo contexto ou, bom, olhar no dicionário. De qualquer modo o importante não é entender cada palavra, e sim entender a mensagem geral e ir se familizarizando com a língua.

Vejam bem, não estou falando em ler um livro em inglês de vez em quando… e sim de ler o máximo de coisas possíveis, para tentar uma forma de imersão.

Também ver filmes e séries, em inglês, com legendas também em inglês ou sem legendas. Ausência de legendas te obriga a prestar mais atenção no que está sendo falado e tentar entender (mesmo que tenha que voltar quinze vezes em uma mesma frase). Na primeira vez que assisti Blade Runner eu devo ter entendido uns 20%, ou menos, das falas… Não me arrependo.

Jogos de computador também são legais para isso, principalmente aqueles jogos que têm diálogo e você precisa escolher entre algumas opções, sendo que falar a coisa errada pode levar seu personagem à morte. Eu aprendi muito com jogos de RPG, como Fallout (o qual já mencionei em outros posts inclusive! Sei lá, jogos jogados são como vidas vividas, são algo marcante.). Acho que foi uma das coisas que mais me ajudaram a aprimorar meu inglês – ao contrário de um livro ou um filme, em um jogo alguma coisa, mesmo que do mundo virtual, depende das suas ações e, portanto, do seu entendimento. Isso meio que dá um incentivo a mais.

Essas coisas – livros, filmes, jogos, músicas – podem ajudar bastante a nos familiarizarmos com uma língua e a entendermos melhor. Mas não é só isso! Afinal nós, como cientistas, não apenas lemos e ouvimos coisas científicas, mas também as escrevemos e falamos sobre elas. Em algum momento da sua vida você poderá apresentar alguma palestra em inglês; e provavelmente em algum momento anterior da sua vida você precisará preparar um texto em inglês, daqueles textos de seis mil palavras 🙂 E agora?

Antes, algumas palavras para acalmar: Pela minha experiência, no meio acadêmico pessoas são bastante tolerantes com pessoas cuja língua nativa não é o inglês. Você não vai passar vergonha ao falar coisas errado – no máximo a pessoa com quem você está conversando vai se esforçar mais para entender; o que vai ser algo interessante também para a pessoa! Isso se aplica a textos escritos também: por exemplo, meu amigo teve um artigo aceito, mas, depois do aceite, o editor da revista pediu para ele revisar o inglês. Seu texto em inglês precisa estar entendível – ele não precisa estar perfeito.

Se aprende a escrever escrevendo, e se aprende a falar falando. Ou seja, praticar é importante! Mas como? Ao contrário de livros e filmes, que sempre estão por aí, não dá pra ir em um congresso internacional por semana e escrever um artigo por mês. E agora?

Bom, em relação à escrita, eu vejo duas formas de ir se aprimorando continuamente. Uma é em ambientes virtuais onde pessoas escrevam em inglês sobre coisas – tipo as redes sociais atuais. Tudo bem que as redes sociais que temos hoje em dia não permitem conversas longas e aprofundadas como era possível na época do saudoso Orkut… Saudades do Orkut. Aprendi muita coisa interessante por lá. Mas enfim, existem fórums virtuais, listas de emails e outros ambientes amigáveis de interação nos quais dá pra ir praticando sua escrita enquanto discute coisas interessantes, que podem ter relação com o seu trabalho ou não. E a outra forma é escrever textos em inglês e enviar para seu orientador ou sua orientadora 🙂 Com sorte, a pessoa vai corrigir e talvez até explicar as correções. Mas mesmo que não o faça, na minha visão, nessa etapa o que importa é a prática, não o produto. Você também pode fazer um blog para o qual escreva em inglês, como esse aqui . O que importa é praticar.

Existem inclusive cursos de escrita científica, incluindo escrita científica em inglês; mas como nunca fiz um desses (exceto tipo duas ou três aulas como ouvinte na USP), vou deixar essa indireta para alguém falar deles nos comentários 😉

Em relação à comunicação falada é mais complicado. Às vezes surgem oportunidades, por exemplo alguém vindo de fora que não fale português. Mas isso é mais esporádico… Uma sugestão é combinar com outras pessoas que querem aprender inglês e, sei lá, ir no bar uma vez por semana e ficar falando inglês lá. Acho que na Unesp pessoas estavam fazendo isso. Provavelmente vai ter no grupo alguém que fale mais e que possa fazer correções, e de qualquer modo provavelmente será divertido!

O importante é não ter vergonha de errar e não deixar de fazer algo pelo medo de fazer errado. Afinal, ninguém te obriga a falar inglês perfeitamente! É perfeitamente normal e compreensível errar. Mas, por outro lado, no meio acadêmico, entender inglês é essencial, e conseguir se comunicar em inglês é essencial caso você pretenda ser cientista. Vale a pena investir nisso.

15 pensamentos sobre “Dicas para aprender inglês

    • Obrigado! 🙂
      Estou postando versões em áudio para tornar meus textos mais acessíveis – acho que ouvir a voz de uma pessoa é mais legal do que ouvir a voz fria de um sintetizador de voz, rs

  1. Super massa, Pavo!
    Outro recurso legal pra praticar fala e escrita (principalmente em tempos de pandemia), são as plataformas de conversação. Onde você se cadastra dizendo qual é sua língua nativa e qual idioma quer aprender e busca usuarios que coincidam com suas preferências. Assim, ao mesmo tempo que você aprende, também ensina.

    • Obrigado!
      É, plataformas de conversação são uma boa!
      Eu esqueci de mencionar elas, talvez porque eu mesmo só usei uma (Livemocha) e por pouco tempo, quando estava no Canadá e tentava aprender coreano (essa frase faz sentido embora não pareça!)

  2. Ótimas dicas! Tenho tentado me virar como autodidata, um dos maiores desafios é ter paciência comigo mesma durante o processo e entender que não vai ser do dia pra noite…
    Sempre opto por assistir filmes em inglês com legenda, algumas vezes com a legenda em inglês ou mesmo desativada, sinto que me ajuda.
    Tento ler em inglês livros que já tenha lido em português, etc. 🙂

    • Obrigado!
      Estou reassistindo Doctor Who sem legenda agora… Está sendo um bom treino, porque é inglês britânico com o qual tenho menos familiaridade, às vezes tenho que ouvir a mesma frase várias vezes até entender 🙂
      Sobre livros, tem alguns autores que ler no original pra mim é muito mais interessante, porque tem coisas que não podem ser traduzidas. Por exemplo, em Neverwhere (Neil Gaiman), onde Knight’s Bridge vira Night’s Bridge.. Traduzido não fica a mesma coisa! O mesmo se aplica a algumas séries, como em um episódio de Doctor Who: “The man who lies will lie no more when this man lies in Trenzalore”. É complexo traduzir esses jogos de palavras.

  3. Adorei! Sim, na UNESP, mais especificamente no grupo do LEEC surgiu essa iniciativa de se juntar no bar e só falar em inglês. Para mim, ajudou e muito! Já ouvi muitas pessoas falando que quando escutam alguém falando em inglês entende, mas que na hora de responder e se expressar é muito difícil (eu me incluo). Ou seja, é estranho você entender e não saber falar. Então eu percebi que eu tinha um bloqueio (talvez medo de errar) e assim, não me arriscava a falar. Nessas rodas entre amigos é ótimo para você se sentir mais confortável em começar e ainda seus amigos te corrigem de forma amigável. Depois eu percebi que eu só conseguiria aprender a falar praticando e que quanto mais eu falar, melhor eu ficaria.

    obs: a versão em áudio é sensacional!

    • Obrigado!
      Que bom que minha memória não falhou em relação ao LEEC 🙂 Mesmo eu nunca ter participado desses encontros (pelos motivos de não morar em RC e não ir em bares haha)
      Então, é aquela ideia: para escrever bem não basta ler muito; e para falar não basta ouvir e entender… São coisas diferentes. Tem a questão do bloqueio, e tem a questão de que se não praticamos, as palavras e construções nos somem da memória. Aí eu acho interessante falar bem tentar falar inglês regularmente 🙂

  4. Oi Pavel! Gostei muitos da dicas, acho que todo mundo que está na vida acadêmica, ou que está aprendendo inglês deveria ler esse texto, principalmente pelo fato de vc mostrar varias formas de aprender que estão inseridos no nosso dia a dia e a gente não percebe. Outra coisa que gostei, foi que vc me tranquilizou sobre a tolerância das pessoas, com quem está aprendendo, eu tive uma experiência o ano passado e percebi que sim, as pessoas se esforçam pra entender o que vc está tentando dizer e isso é muito importante pra quem está aprendendo pq estimula a falar mais. Acho legal tb alguns aplicativos pra estudar, como o Duolingo e ELSA, eu uso e ajuda muito com a pronuncia, e como são aplicativos simples, usando todo dia, vc se familiariza rápido com as palavras 😉

    • Obrigado!
      Sim, pessoas são tolerantes! E todo mundo gosta das pessoas do Brasil. Bom, talvez o nosso presidente esteja mudando isso, mas espero que não haha Então quando perceberem seu sotaque brasileiro, talvez fiquem até mais tolerantes! 🙂
      Mudando um pouco de assunto, algo muito interessante foi o que aconteceu no congresso latino-americano de ecologia de paisagens no Chile, acho que em 2016: parte das pessoas falava espanhol e parte falava português, e todo mundo se entendia! Tipo, era feita uma apresentação em espanhol, alguém perguntava em português, pessoas respondiam em espanhol e não havia nenhum problema de comunicação. Eu mesmo conseguia me comunicar tranquilamente no evento. Já quando tentava me comunicar com outras pessoas…. rsrs

      Sim, esses aplicativos são legais! Não mencionei porque tenho pouca experiência com eles 🙂

      • Sim com certeza não está ajudando 😦
        Que legal que essa tolerância existe..hahaha
        Essas experiencias contribuem muito, nesse caso pra vc aprender espanhol
        😉

  5. Valeu pelas dicas, Professor Pavel! Tenho tentado manter uma rotina de contato com a língua inglesa através de aplicativos como o Duolingo e o Cake! Além disso, os grupos de pesquisa do ISC estão sempre recebendo estudantes em intercâmbio, permitindo assim uma vivência com eles e a oportunidade de diálogos durante as atividades de campo nas comunidades. Ainda tenho dificuldades com a pronúncia e compreensão, mas, como você disse, sinto que a galera que tem um maior domínio da língua são bem compreensíveis e estão dispostas a ajudar. A vergonha também é outro fator, mas eu vou superar! Abraços! Cuide-se!

  6. Obrigada por escrever sobre isso 🙂 .
    Aprender outro idioma ainda é um desafio para mim. Quando comecei o mestrado eu entendi a importância do inglês e resolvi me dedicar a isso. Confesso que, no meu caso, o aprendizado tem sido mais lento do que eu gostaria. Já testei várias formas (curso rápido, música, traduções de textos e etc). Bom, o aprendizado tem sido lento, porém eu tenho evoluído… \o/ e eu ainda tenho você dando aquele help hahahaha

    • Fico feliz em ser útil! 🙂 E obrigado pelo comentário!
      Um progresso lento é infinitamente melhor do que nenhum progresso… O importante é não desistir e buscar se aprimorar sempre. E procurar se desafiar… Por exemplo escrever seu próximo artigo direto em inglês 🙂
      E buscar se divertir no processo!

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