A Arte de Orientar

Este é um post colaborativo sobre a arte de orientar bem. Para este post, convidei algumas e alguns professoras e professores que admiro e considero (e outras pessoas também consideram, conforme ouço por aí) excelentes orientadoras/es. Pedi para escrever em torno de dois parágrafos; algumas pessoas escreveram mais, o que tornou o texto mais interessante ainda! Então agradeço por escreverem!, e coloco abaixo as diferentes visões sobre como ser um bom orientador ou uma boa orientadora, finalizando com algumas palavras minhas.

Prof. Francisco Barros – Laboratório de Ecologia Bentônica, UFBA

Não existe uma fórmula mágica. Estudantes e orientadores são pessoas, e cada um é uma pessoa diferente. A interação é variável, seja flexível. 

Tenha uma conversa franca, antes de “fechar o contrato” de orientação. Explique como você orienta e qual o perfil desejável para que a orientação funcione. 

Seja transparente ao longo de todo o percurso, caso aconteçam desconfortos converse (nesse caso evite e-mails e mensagens de WhatsApp) e explique os motivos do desconforto. Deixe o orientando confortável para fazer o mesmo. 

Seja um exemplo do que exige.

Valorize os pontos positivos dos orientandos e tenha discussões sobre ciência, em seus aspectos mais gerais, vá além do projeto. Explique as atividades relacionadas a pesquisa que você faz no dia a dia (e.g. consultorias adhoc, preparação de projetos, avaliações, colaborações).

Seja criativo e promova interação social, não obrigatória, no grupo de pesquisa.

Explique que ser um pesquisador exige muito e sempre, mas que pode ser uma carreira muito prazerosa.

Reunião virtual em tempos de pandemia

Profa. Eliana Cazetta – Laboratório de Ecologia Aplicada à Conservação, UESC

O Pavel me convidou para contribuir com este post sobre como orientar bem, o que por si só é uma grande honra, pois assume que eu posso contribuir com dicas e sugestões sobre uma boa orientação. Realmente esse é um assunto pouco discutido e basicamente vamos aprendendo com a experiência sobre o que funciona e o que não funciona durante o processo. Então, com base nas minhas vivências a primeira coisa que eu posso dizer é seja você mesmo. No passado eu tentei me inspirar na fórmula de uma pessoa que eu admiro demais como orientadora e cobrar relatórios todos os meses dos orientandos, dar prazos para todas as atividades e cobrar resultados, mas não funcionou. Por quê? Porque eu simplesmente não funciono assim. Não gosto de cobrar o que penso que deveria partir do orientando. Então, eu geralmente deixo claro na primeira conversa com os alunos, eu não sou de fazer cobranças, se você precisa de prazos curtos e cobranças para produzir talvez eu não seja a melhor orientadora para você.

O que funciona para mim são conversas francas onde fique claro desde o início o que os dois lados esperam. Dar autonomia e liberdade para que o aluno tome decisões, principalmente sobre o projeto de pesquisa, é um dos aspectos mais importantes no processo de orientação. O aluno precisa se envolver com a ideia e curtir o que vai passar dois ou quatro anos fazendo. Então, não adianta ser o projeto dos meus sonhos, se não fizer os olhos do aluno brilhar. Por fim, é muito importante entender que cada pessoa é um mundo, então não existe uma fórmula única de sucesso. Você vai repetir as mesmas estratégias que funcionaram muito bem com um aluno e o resultado vai ser desapontador. Mas para não dizer que eu não dei nenhuma dica específica, reuniões individuais com frequência, estimular discussões entre os alunos, bem como a colaboração (não a competição) entre eles, me parecem sempre um ótimo ponto de partida.

Eliana e suas orientandas

Profa. Fernanda Gaiotto – Laboratório de Marcadores Moleculares, UESC

Minha experiência em orientar estudantes de graduação e de pós-graduação em seus projetos de pesquisa acadêmicos é muito positiva. Procuro ter uma relação franca e próxima com meus orientados porque penso que se trata de uma inter-relação humana acima de hierárquica. Pra ser sincera, orientar é uma das partes do meu trabalho que me dá mais prazer. Acho que é porque me dá oportunidade de conhecer pessoas novas sempre, e me aprofundar um pouco em cada uma delas. Dessa forma, aprendo mais do que ensino, já que com cada uma delas é necessário respeitar seu jeito único de ser, e se adaptar as diversidades humanas. A rotina não existe quando orientamos esses estudantes tão únicos e especiais! A importância deste contato humano, pra mim, é maior do que da própria pesquisa científica. Na minha opinião, o sucesso na obtenção de bons resultados e a publicação dos mesmos em revistas científicas, se inicia a partir de uma relação sincera e de respeito mútuo entre orientador e orientado. Depois disso, vem a dedicação e o trabalho árduo, é claro!! rsrsrs.

Uma segunda reflexão importante que gostaria de deixar aqui é a necessidade do orientador, de fato, orientar seus alunos na pesquisa e na vida acadêmica. O estudante, mesmo que em pós-graduação, ainda está iniciando sua vida profissional e precisa de orientações claras sobre o que deve fazer para, no menor período de tempo conseguir atingir suas metas. A experiência do orientador pode (e deve!) ajudar neste caminho. Não concordo que os estudantes fiquem à mercê de aprender com os próprios erros. Também discordo daqueles que acham basta que o estudante tenha o trabalho pronto no final do curso. Para mim, o trajeto que ele percorre até lá é essencial. Se o orientador não fizer um planejamento da pesquisa mês a mês, o estudante terá dificuldade em trilhar, sem experiência, seu próprio caminho. Além do planejamento, acredito na cobrança de resultados e de pequenas metas ao longo do percurso. Estes momentos de “checagem”, sejam mensais ou bimestrais, ajudam a fazer alguma correção de rota se necessário. Claro que, tanto o planejamento, quanto a checagem devem ser realizados em conjunto e de comum acordo entre orientador e orientado, né?

Por último, acho importante deixar claro ao orientado que nós orientadores não sabemos tudo e não somos os detentores absolutos do conhecimento. Estamos juntos neste barco, e o divertido desta vida de cientistas é aprendermos juntos com nossos erros e acertos. Só com essa parceria sincera entre essas pessoas que compõe uma equipe de trabalho é que o sucesso da pesquisa vem. Ele é consequência! E, se não vier, não tem problema, a amizade sempre fica, e isto é mais importante que tudo!

Time de vôlei do laboratório

Prof. Jacques Delabie – Laboratório de Mirmecologia, CEPLAC

Da Arte de Orientar…

O que é “Orientar Bem”? Através dessa pergunta, essa é a mais uma nova reflexão que o Pavel está nos obrigando a fazer. Creio que não há uma resposta singela a essa pergunta e que a forma com que cada orientador interage com seus orientados depende de uma infinidade de fatores, onde se mesclam obviamente componentes das personalidades do primeiro com as de seus “subordinados”.

O primeiro elemento a ser considerado é “Qual o tipo de orientação?” É claro que uma orientação ao nível de Iniciação Científica não é a mesma coisa do que uma de Mestrado ou de Doutorado. Quero me limitar aqui às orientações de pós-graduação. Postulo que a orientação ao nível de mestrado é de natureza mais técnica do que de doutorado, que é mais de reflexão. O discente de mestrado há que adquirir capacidade, autonomia e ferramentas que lhe serão necessárias na sua futura vida profissional. Já para o doutorado, pressuponha-se que essas características já tenham sido plenamente adquiridas, e espera-se de um futuro doutor que ele comprove de forma muito mais independente suas habilidades para pesquisar, refletir, produzir e divulgar seus trabalhos. Nesse caso, o papel do orientador é mais de mentor.

O orientador e seu orientado formam um par único e não há dois pares iguais na sucessão de orientações do mesmo orientador. Vou dizer mais: é o orientado que faz o orientador. Explico: Existem diferentes tipos de discentes solicitando orientação. Estou tomando exemplos de dois extremos: os totalmente independentes que precisam que o orientador basicamente assine abaixo de todas suas próprias iniciativas; e os totalmente dependentes, que precisam que o orientador dê não somente a receita do bolo, mas que ele traga todos os ingredientes do bolo, que mostre como misturar esses ingredientes, ligue o forno, espere o bolo assar para tirá-lo do forno, e ainda que confeite o bolo para que seja levado à festa pelo orientado.

Nunca cheguei a conhecer pessoalmente Edward O. Wilson, o mais famoso biólogo evolucionista norte-americano (além de notório mirmecologista!), hoje aposentado do papel de orientador. Ele orientou alguns alunos escolhidos a dedo, ao nível de doutorado, na Universidade de Harvard. Ouvi dizer que ele marcava somente três reuniões com cada um: a primeira para definir o assunto da pesquisa da tese, a segunda no meio do período do doutoramento para discutir eventuais dificuldades encontradas e traçar planos para o futuro; a terceira para a defesa. Não sei até onde esse tipo de orientação procede, mas é óbvio que o estudante há de ser totalmente autônomo para construir assim uma tese de A até Z. Para o bem da informação, asseguro-lhes que todos os ex-orientados de Wilson estão hoje em dia muito bem empregados. Em cerca de 30 anos de orientação, consigo lembrar-me de um único orientado que obedeceria a esse padrão de autonomia integral no desenvolvimento da tese e quem, praticamente, não dependeu em nada de mim como orientador, nem para escrever os artigos decorrentes do doutorado.

Tenho diversos amigos que eu poderia qualificar de orientadores-coruja. São do tipo que assam e confeitam o bolo. Não os critico porque sei pertinentemente que há uma boa proporção de estudantes (em particular ao nível do mestrado) que precisam de uma assistência estreita e contínua de seu orientador. Passando com sucesso esse período, em geral, esses alunos ganham confiança em si e completa autonomia. Os orientadores-coruja acompanham de ponta a ponta a elaboração do projeto de pesquisa, opinam detalhadamente sobre as disciplinas cursadas, revisam e acompanham o passo a passo do desenvolvimento da pesquisa, se sentam junto ao aluno para escrever a dissertação, tese ou artigo. Na hora da defesa, têm a tendência de pegar todas as críticas formuladas pela banca ao aluno pelo lado pessoal e defendem o mesmo com carne e unhas. O lado positivo é que o orientado se sente amparado e confiante até concluir seu diploma, além de contribuir a tecer laços profundos de amizade entre orientador e discente.

Creio não ser um orientador nem de um tipo, nem do outro: nem deixando a rede solta, nem do tipo coruja. Raramente tenho um projeto pré-concebido em cabeça quando um(a) aluno(a) me procura para ser seu orientador. Em geral, a não ser que ele tenha alguma ideia já bem definida em cabeça, é na primeira discussão que tenho com ele que eu sugiro sobre o que poderia ser seu tema de pesquisa. Esse tema se formata em função de diversos critérios, como formação prévia do candidato, centros de interesse, entusiasmo pelo tipo de pesquisa, se tem mais afinidade com o campo ou com o laboratório, se já tem ou não experiência de trabalhar em equipe, a situação geográfica do aluno ou de sua família, e como ele se projeta no futuro (qual o tipo de profissional ele quer ser). Talvez, em função dessas e outras caraterísticas, alguns orientados sofrem um pouco comigo: a cada vez que discutimos sobre o desenrolar do projeto de pesquisa depois da mesma ter sido iniciada, tenho a mania de fazer novas sugestões sobre a pesquisa (uma ideia vai se somando à outra), às vezes radicalmente diferentes, o que pode abrir muito as perspectivas de desenvolvimento da tese. Confesso que isso, de vez em quando, deixa o aluno um pouco confuso quanto a seus objetivos (e irritado comigo). Finalmente, deixo ao critério do discente as disciplinas que escolha cursar e como ele vai organizar sua vida, entre horários de trabalho e vida pessoal. Cada aluno tem seu próprio ritmo e obviamente, isso vai influenciar o desenvolvimento da pesquisa, a redação da dissertação ou da tese, assim como a dos artigos, nos limites impostos pelo Programa de Pós-Graduação (assim como, creio, a última mensalidade de bolsa que pode até ter mais influência…).

Defesa de Bia, orientada de Jacques e minha primeira co-orientada de pós (tive sorte!)

Prof. Marco Mello – Laboratório de Síntese Ecológica, USP

“Você me diz que seus pais não o entendem, mas você não entende seus pais”. Sábias palavras do saudoso Renato Russo!

A ciência imita a arte e a gente adora reclamar dos nossos orientadores, quando ainda somos alunos. Só que um dia mudamos de lado! E o pior é que somos treinados apenas para fazer pesquisa, mas de repente temos que atuar também em ensino, extensão, gestão e… orientação! Na prática, o estilo que você desenvolve como orientador acaba nascendo a partir da imitação consciente ou inconsciente de todos os exemplos positivos e negativos que encontrou na vida.

Essa falta de preparação formal fatalmente te levará a cometer muitos erros, principalmente nos primeiros anos. Saiba que a maior parte do estresse entre orientadores e alunos vem justamente de eles não entenderem uns aos outros. Portanto, pare e respire. Não há uma fórmula mágica para preencher essa lacuna, mas há pequenas soluções que podem ajudar.

Primeira, defina quem você é como cientista. Reflita com calma sobre que tipo de grupo de pesquisa você quer montar, com quais valores centrais e focado em qual tipo de missão de longo prazo. Não saia orientando todo mundo que aparecer. Descubra aos poucos qual tipo de aluno e quantos alunos ao mesmo tempo você consegue orientar de forma eficiente. Fuja da orientação por atacado, tão estimulada pelo sistema produtivista brasileiro.

Segunda, aprenda a se comunicar de forma não-violenta. Não estou falando apenas de violência óbvia, como gritos ou xingamentos. O ponto é aprender a ouvir de verdade, sem projetar expectativas em cima dos seus alunos. Aprenda também a se expressar de verdade, transmitindo desejos concretos e pedidos bem formulados. Construa um plano de orientação individual com cada aluno para ajustar de forma aberta as suas expectativas mútuas. Escreva um estatuto do seu laboratório, onde constem os direitos, deveres e benefícios dos membros. Pergunte a cada novo aluno se ele concorda com o estatuto, antes de entrar para o grupo.

Terceira, estude algumas técnicas de gerenciamento de equipes usadas pelo pessoal de administração. Sério, muita gente pesquisa as formas de mentoria que existem em diferentes carreiras. Veja os problemas e soluções que esses profissionais do ramo reportam. Para que reinventar a roda?

Naturalmente, há muitas outras coisas envolvidas em formar novos cientistas. Mas comece pelo básico e provavelmente você entenderá os seus alunos e se fará entender por eles com mais clareza. Isso por si só já torna a relação mais fácil e evita vários problemas.

Considerações finais, por este que vos traz este blog (Prof. Pavel Dodonov – Laboratório de Ecologia Espacial, UFBA)

Primeiramente, preciso agradecer Chico, Eli, Fernanda, Jacques e Marco pelos textos, eu pessoalmente adorei este conjunto de relatos e experiência e estou me sentindo honrado em ter isso aqui no blog. 🙂

A minha visão é similar às acima expostas; eu acredito que não existe uma única forma de orientar, pois cada pessoa é uma pessoa; mas é importante, acima de tudo, levar em conta isso: que cada pessoa é uma pessoa. E, para mim pessoalmente, o objetivo primário de uma orientação não é produzir um trabalho científico, e sim contribuir para a formação da pessoa; produção do trabalho científico faz parte dessa formação, especialmente na pós-graduação, mas a formação é mais do que isso. Inclusive, eu busco tentar entender os objetivos da pessoa ao fazer IC, mestrado ou doutorado, para tentar ajudá-la a atingir tais objetivos.

Algo também bastante importante para mim é a formação de um grupo de pesquisa, com pessoas que interajam entre si e trabalhem juntas, mesmo que não publiquem juntas. Encontros laboratorias (presenciais ou virtuais) regulares e a existência de projetos que conversem entre si, assim como colaborações no trabalho de campo, ajudam nisso; por outro lado, também acredito fortemente que devemos estimular a autonomia intelectual das pessoas que orientamos, e sempre procuro com que a ideia do projeto parta da própria pessoa; eu busco mais dar um direcionamento e indicar os problemas que enxergo, e ajudar com o que precisa ser ajudado. Mas a meu ver autonomia é muito importante, desde o início (i.e. iniciação científica).

Um último conselho que eu daria, para estudantes de pós-graduação: caso você tenha planos de seguir carreira acadêmica, eu sugiro buscar oportunidades de co-orientar ou orientar pessoas. Para mim, co-orientar pessoas durante meu doutorado e pós-doc foi uma experiência essencial; não foi suficiente para eu descobrir qual a forma de orientar que mais funciona para mim – ainda estou descobrindo isso! – mas foram primeiros passos essenciais.

Visita a uma das nossas áreas de estudo 🙂

16 pensamentos sobre “A Arte de Orientar

  1. Pavel, Acabei de ler o seu Post, e adorei!!! Caiu como uma luva para a situação que estou vivenciando agora. Eu “acabei” de inverter os lados, e agora estou começando a orientar de verdade (antes tinha sido co-orientações). Minha primeira experiencia como orientadora de aluno de Graduação foi muito boa – nos primeiro 6 meses, pq depois veio a pandemia e complicou um pouco as coisas (a comunicação/o desempenho entre outros, ficaram comprometidos). Agora me encontro diante de 10 alunos que se candidataram a uma vaga de bolsa de IC. E esse post me ajudou a pensar em “perguntas/informações” que são importantes de ser colocado nessa primeira conversa para selecionar um dos alunos.

    Um grande abraço, e parabéns por manter o blog sempre ativo e atraente.

    Lari

    • Oi Lari!
      Que bom que o post ajudou! Então, orientar é uma arte e acho que precisamos de várias experiências pra encontrar o nosso estilo de orientação e se aprimorar no que fazemos. E cada experiência é muito única. Eu tive ótimas experiências no começo (acho que tive sorte!), mas mesmo assim, agora que estou orientando mais pessoas são sempre novos desafios e novos aprendizados. 🙂

  2. Que beleza Pavel, adorei.

    Boas dicas, e reflexões também, tem até sugestão para aprender sobre Comunicação não violenta, que evolução! ( Aproveitando, Laura Honda obrigada por trazer esse assunto pra minha vida mesmo sendo muito difícil de aplicar no dia-a-dia rsrs seguimos tentando)
    Gosto deste tema pq inicialmente foi muito difícil pra mim (co) orientar e depois descobri que tinha a ver com as minhas idealizações (e pouca experiência) de como seria orientar de verdade. Em conversas com a Milene e com o Fabiano ouvia eles falando do prazer que era orientar e achava que eu era doida e não servia para aquilo mesmo rsrs. No final era eu que aprendia mais com o processo todo do que @s alun@s, e orientar foi se tornando uma coisa bem mais legal quando passei a cultivar mais a conversa real tomando um cafezinho com @ jovem que queria aprender e fazer ciência ao invés de me comunicar com eles por email apenas 🙂 conversas por email tem um ótimo potencial de estragar tudo, cada um intrepreta como quer…
    Uma coisa que eu sempre penso é que a gente falha em obter feedbacks sobre a orientação com os alunos (eu inclusive). Sempre achei estranho as agencias de fomento no Brasil cobrarem relatórios de pesquisa dos alunos e pareceres dos orientadores sobre os alunos mas não terem nenhum formulário para os alunos relatarem sua experiência com o orientador. Pra mim uma falha enorme. Esse feedback seria de grande importância, e um momento pra digerir as críticas do aluno e as próprias auto-críticas do orientador pra melhorar o processo de orientação, e pra torná-lo menos hierárquico e mais humano de verdade (como citou uma professora no seu blog).
    E só exemplificando como isso poderia ser aplicado na prática, quando falamos por exemplo de estágio no exterior (que é uma experiência curta de orientação mas importante e geralmente cheia de expectativas do aluno). Se a agencia de fomento levasse em consideração o feedback dos bolsistas sobre o pesquisador no exterior que os recebeu e supervisionou, isso poderia ajudar inclusive nas escolhas dos proximos bolsistas. Cientista adora inventar índice pra quantificar as coisas, poderia ter um indice h de orientação né rsrs?!
    Pessoas diferentes podem ter experiências diferentes com o mesmo orientador claro mas se por exemplo 10 bolsistas que foram pro mesmo lab reclamarem da ausência de atenção, interesse e tempo do orientador gringo (ou coisa muito pior que já ouvi em relatos por aí – incluindo assédio moral e sexual – sobre isso tem esse link que vale a pena consultar antes de escolher um colaborador se forem para os EUA https://academic-sexual-misconduct-database.org/). Isso acenderia uma luz vermelha para aquele não ser um destino das próximas pessoas que optarem por fazer um estágio no exterior…
    Só umas idéias que lembrei enquanto lia, ainda que de uma perspectiva mais de aluna do que de orientadora…achei bem construtivo o post. Obrigada!

    abs e parabéns!
    Julia Oshima

    • Oi, Julia!
      Sim, concordo plenamente sobre a parte de obter feedback. Eu busco obter esse feedback de diferentes formas… Mas basicamente perguntando pras pessoas que oriento e cooriento. O melhor é quando alguém diz publicamente num grupo que teve sorte com os oris ❤
      Nos EUA existe o Rate My Professor, né? Em que dá pra colocar avaliações de docentes da universidade. Eu sinto falta de algo assim aqui; mas acho que vou implementar ao menos pra mim! E aí quando alguém me procurar pra orientador, eu vou passar o link pras respostas de pessoas que já orientei, pra pessoa saber o que a espera. Super obrigado pela dica! 🙂
      Abraço!

  3. Pavito, adorei este post! Muito legal ver as diferentes visões dos orientadores e, apesar de não existir uma fórmula, apareceram dicas muito boas para direcionar quem acabou de “mudar de lado”, como a Lari relatou. Eu atualmente estou co-orientando um aluno de doutorado a distância (não só pela pandemia mas pq moramos em estados diferentes mesmo) e a interação não tem fluído como eu gostaria. Certamente está me fazendo refletir! Obrigada 🙂

    • Obrigado, Ju! 🙂
      Pela distância as coisas são ainda mais desafiadoras, né? Algo que eu tento fazer é sempre primeiro perguntar quais as condições de trabalho (incluindo emocionais) da pessoa, pra propôr os passos futuros a partir disso…

  4. Pingback: Pacotão de dicas sobre a relação orientador-aluno – Sobrevivendo na Ciência

  5. Pingback: Pacotão de dicas sobre a carreira acadêmica: novatos – Sobrevivendo na Ciência

  6. Que post fofo! Muito útil para mim, que comecei a co-orientar minha primeira aluna de doutorado esse ano 😀
    Adorei a foto que o Marco escolheu, a gente tá tão feliz hehe..

    abs,

    • Renadica! Que bom que você gostou 🙂 E que legal que você co-orientando doc! Co-orientar é legal. Acho que vou ficar até triste (e também muito feliz!) quando minha primeira coori defender o doutorado ano que vem 🙂

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