Desafios dentro e fora da Academia e como sobreviver a eles

Este é um post convidado, seguindo a sequência de relatos profissionais e histórias de vida. Desta vez, Jean Henrique – biólogo, ecólogo e fotógrafo – conta um pouco da sua passagem pela Academia e dos outros caminhos antes, durantes e depois disso.

Lembro-me de quando eu passava na frente da faculdade saindo da zona periférica da cidade para fazer algo na parte central. Sempre olhava o emblema da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) e dizia para mim, “é ali que quero ir, é ali que quero estar”. Mas minha história começa um pouco antes, acredito que quando comecei a trabalhar (acho que essa é a proposta kk). Quando fiz meus 12 anos (há 15 anos “ago”, 2003), acreditando que já estava “grande” (grande eu era de tamanho já, só não de idade, acho que entenderam) comecei a trabalhar com meu Pai (sim com maiúsculo por que ele é um substantivo próprio, um ser individual, único para mim), me lembro da primeira festa que trabalhei, pensem, um “moleque”, magrelo, sem um pelo direito no corpo, carregando de duas a três jarras de refrigerante e servindo. Penso que essa palavra define muito a minha vida, servir, porque após esse início nunca mais parei.

Dando um salto para o ano de 2010, outro ponto importante na minha vida, entrei para o 36° Batalhão de Infantaria Motorizada do Triângulo Mineiro, e sim, aprendi muito, mas percebi que ali não era meu caminho, não enxergava um sentido de ser militar do exército, saí então em 2011 prestando o vestibular (pela quinta vez) para biologia e passando em 2011/2. Assim foram 4 anos muito loucos, mas de uma grande experiência. Me formei em 2015/2 em Licenciatura e 2016/1 em Bacharel, entrando no mestrado no mesmo período em outro estado, Bahia.

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Desafios fora da Academia: trabalhando em ONG – Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ)

Este é um post convidado, escrito por Gabriela Rezende, bióloga, doutoranda em Ecologia e vinculada à ONG Instituto de Pesquisas Ecológicas – IPÊ. É o segundo no que espero que seja uma longa série sobre como é trabalhar fora da Academia e da Universidade.

Eu sou a Gabi Rezende, bióloga formada na UNESP de Botucatu, especialista em Manejo de Espécies Ameaçadas pela University of Kent/Durrell (UK) e em Gestão de Projetos pela FGV, mestre profissional em Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Sustentável pelo IPÊ e agora doutoranda em Zoologia pela UNESP e mãe da Sofia desde abril desse ano.

Quando o Pavel iniciou essa série de posts sobre os desafios fora da academia logo me “candidatei” a relatar minha experiência, por achar um tema super pertinente pra biólogos e ecólogos, que muitas vezes se formam sem ter muita ideia do que o mercado de trabalho tem para oferecer fora da academia. Assim foi comigo, e, por ter escolhido um caminho um pouco diferente do “emendar graduação com mestrado com doutorado”, vim aqui contar um pouco da minha trajetória e de como é trabalhar em uma ONG, o IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas).

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Desafios fora da Academia: trabalhando em Unidade de Conservação

Este é um post convidado, escrito pela minha amiga Karina Lopes Ramos, oceanóloga e ecóloga que atualmente trabalha numa Reserva Extrativista. Este é o primeiro (ou talvez segundo) post do que espero ser uma série longa sobre possibilidade de trabalho para pessoas da área ambiental, ecologia, biologia, oceanologia fora da Academia.

Meu nome é Karina, sou formada em Oceanologia (FURG), mestre em Oceanografia Biológica (FURG) e doutora em Ecologia e Conservação da Biodiversidade (UESC).

No doutorado (concluído em abril de 2018), o foco da minha pesquisa foi sobre conflitos entre leões-marinhos (Otaria flavescens) e os pescadores de emalhe do sul do Brasil.

No ano passado, quando recém tinha retornado a Ilhéus (depois de uns meses na minha cidade de origem, Rio Grande-RS), soube de uma seleção que estava tendo para trabalhar como bolsista de pesquisa em algumas Unidades de Conservação marinhas do Brasil (Projeto GEF Mar, um projeto do MMA financiado pelo Banco Mundial). Resolvi me candidatar, achando que não daria em nada. Escolhi me candidatar para trabalhar na Reserva Extrativista Marinha do Corumbau, um lugar que eu havia conhecido em 2006, através de um estágio feito na época da minha graduação, onde estagiei por um mês em um projeto do Tamar/CI-Brasil, na comunidade de Imbassuaba. O projeto na época era sobre a interação das tartarugas marinhas com a atividade pesqueira e foi um momento inesquecível na minha vida. Morei em uma comunidade pequena, sem luz elétrica, conheci pessoas incríveis e saí de lá com a impressão que ia demorar pra voltar, mas sabendo que um pedaço meu tinha ficado.

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O impacto de nossas pesquisas

Em um caso recente e que, a meu ver, mostra que estamos vivendo em tempos sombrios de pós-verdade, na qual a verdade individual importa mais do que o conhecimento cientíico, redes de neblina usadas em uma pesquisa foram destruídas por um grupo de pessoas que entenderam que aquelas redes eram tortura, mutilação e possível assassinato de pássaros em extinção (detalhe que até agora não me responderam quais espécies em extinção eram essas). Essa atitude foi fortemente repudiada pela comunidade científica (eu sou uma das pessoas que assinaram a carta aberta). O texto publicado no Facebook chegava a falar que “Dependendo do modo como o pássaro fica preso,torna-se impossível retirá-lo sem danificar os fios da rede. Então, absurdamente, muitos optam por cortar a sangue frio a parte do corpo do pássaro que ficou preso. E o pássaro fica multilado para o resto da vida.”

E isso me fez pensar – o que fizemos para que pessoas pensem que nós, ecólogos e ecólogas, que buscamos entender a vida em grande parte para protegê-la (sim, ecologia é diferente de conservação, mas o viés conservacionista e a preocupação com a vida está presente na grande maioria de trabalhos que acompanho) agimos de tal maneira? Não era pra estarmos do mesmo lado na proteção à natureza?

E isso me fez pensar – o que fazemos para que pessoas não pensem isso de nós?

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Um jogo para o anotherecoblog

Este é um post convidado, escrito pelo meu amigo Marcos Henrique de P. D. da Silva, licenciado em Matemático, desenvolvedor de jogos didática e a pessoa a quem recorro quando tenho perguntas sobre jogos. Um tempo atrás pedi para ele escrever sobre criação de jogos, e éis o resultado; eu achei sensacional. (Ele escreveu já faz um tempo, mas estive em um período conturbado e só consegui publicar agora). Marcos também mantém o blog Abaruna, com jogos inéditos, e já escrever um post sobre Pensamento Computacional para este blog.

Começo do mês de abril (dia 3), me apareceu uma proposta para escrever um post neste blog sobre como criar jogos, dando preferência a temas como Ecologia ou Educação Ambiental. Infelizmente este é um assunto impossível de se sistematizar, não há uma receita objetiva e replicável que permita construir jogos de nenhuma natureza. Temos entretanto, algoritmos e métodos para elaborar partes da estrutura que forma um jogo, e estudos práticos na forma de guias apoiados na subjetividade humana, capazes de auxiliar pessoas a criarem jogos. Assim, não é possível explicar como se criam jogos, nem mesmo querer ensinar caminhos bem-sucedidos, acreditando que cubram todas as direções possíveis. Criar um jogo é defendido por alguns autores como um Wicked Problem (na tradução literal, problema perverso), dessa forma, somente conseguimos formular com clareza nosso problema (jogo) quando já conhecemos uma solução satisfatória (jogo pronto). A perversidade do problema está exatamente nesta relação, você precisa resolvê-lo às cegas para então identificar o que estava resolvendo.

Então a resposta que dei ao dono deste blog foi, não é possível fazer o que você quer. Mas farei um jogo para seu blog e narrarei o processo criativo a medida que construo. Sendo assim, depois de quase 20 dias de reflexão, eis que escrevo o post solicitado.

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Uma conferência que une jovens conservacionistas de todo o mundo: Student Conference on Conservation Science

Este é um post convidado, escrito pela minha amiga Aluane Ferreira, doutoranda em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela UESC e que acabou de voltar do seu doutorado-sanduíche na Inglaterra.

Olá pessoal

Hoje venho contar para vocês um pouco de como é participar do Student Conference on Conservation Science (SCCS). Essa conferência, realizada em Cambridge, Austrália, Bangalore, Beijing, New York e Hungria, é uma ótima oportunidade para que jovens pesquisadores de diversos lugares do mundo possam trocar experiências, contar sobre seus projetos e conhecer mais sobre as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas ao redor do mundo.

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Responda emails – mas não o tempo todo!

Eu tenho um sério problema de vício em email. Mais que em redes sociais, mais que em tudo exceto talvez chocolate. Vai da época de quando eu participava da lista de emails do Conselho Branco Sociedade Tolkien Brasileira, já faz quinze aninhos isso aí. E embora isso possa até dar a impressão de ser algo bom, porque respondo emails rápido – não é.

Porque trabalho científico, trabalho criativo, trabalho e ponto final exige concentração, foco, envolvimento. E se você procurar por “foco” num dicionário, você talvez encontre algo como “É ter um objetivo, ser determinado a alcançar ou atingir uma meta, ter prioridade em fazer algo não desvirtuando para outro caminho” (Dicionário Informal), talvez seguido de “antônimos: ficar verificando emails o tempo todo.”

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