Uma conferência que une jovens conservacionistas de todo o mundo: Student Conference on Conservation Science

Este é um post convidado, escrito pela minha amiga Aluane Ferreira, doutoranda em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela UESC e que acabou de voltar do seu doutorado-sanduíche na Inglaterra.

Olá pessoal

Hoje venho contar para vocês um pouco de como é participar do Student Conference on Conservation Science (SCCS). Essa conferência, realizada em Cambridge, Austrália, Bangalore, Beijing, New York e Hungria, é uma ótima oportunidade para que jovens pesquisadores de diversos lugares do mundo possam trocar experiências, contar sobre seus projetos e conhecer mais sobre as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas ao redor do mundo.

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Responda emails – mas não o tempo todo!

Eu tenho um sério problema de vício em email. Mais que em redes sociais, mais que em tudo exceto talvez chocolate. Vai da época de quando eu participava da lista de emails do Conselho Branco Sociedade Tolkien Brasileira, já faz quinze aninhos isso aí. E embora isso possa até dar a impressão de ser algo bom, porque respondo emails rápido – não é.

Porque trabalho científico, trabalho criativo, trabalho e ponto final exige concentração, foco, envolvimento. E se você procurar por “foco” num dicionário, você talvez encontre algo como “É ter um objetivo, ser determinado a alcançar ou atingir uma meta, ter prioridade em fazer algo não desvirtuando para outro caminho” (Dicionário Informal), talvez seguido de “antônimos: ficar verificando emails o tempo todo.”

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Superdispersão em GLM de Poisson

Este post era inicialmente um email que mandei para o grupo de emails do laboratório. E agora transformei num post*, incluindo algumas contribuições do meu colega Luiz Magnago (gratidão!).

Escrevo porque é uma assunto importante relacionado a análise de dados
e que não vejo muito por aí (e que eu mesmo ignorava até uns meses
atrás… Shame on me, shame! rs) E bom, se eu tiver entendido certo o
que li no Zuur 2009, AKA o Livro dos Pinguins, o que acontece é o
seguinte:

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Desenho amostral em ecologia de paisagens

Em estudos de ecologia, é importante darmos muita atenção ao planejamento amostral. Muita atenção mesmo. Tipo, de verdade. Realmente, de verdade, muita atenção mesmo.

Portanto, recomendo fortemente, mas muito fortemente mesmo, que vocês leiam (e releiam) esse artigo do Hurlbert, que explica o que são pseudoréplicas, porque elas são ruins e o que precisamos fazer para evitá-las (e convenhamos, o simples fato dele falar de intrusões demoníacas e de vigilância eterna é motivo suficiente para ler); e esse artigo do Oksanen, que dá exemplos de situações em que pseudoreplicação é justificável e termina falando para você ler o artigo do Hurlbert. Portanto, #leiaoHurlbert (e também #leiaoOksanen) .

De qualquer modo, abaixo alguma considerações minhas sobre amostragem em ecologia de paisagens.

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A quem serve a sua ciência?

Esta semana, no workshop do laboratório onde sou pós-doc, foi dito algo interessante… A Universidade em que estamos está em uma região bem pobre do Brasil – e isso pensando em qualquer escala. A Bahia é um Estado pobre, a renda está concentrada mais na região metropolitana do que no sul da Bahia, e o bairro onde a UESC fica tem esgoto a céu aberto. Não seria obrigação da Universidade buscar formas de fazer algo a este respeito?

E isso se aplica a qualquer Universidade num país em desenvolvimento (e creio que nos ditos desenvolvidos também). Qual a função da Universidade, da Academia? Não é apenas produzir conhecimento pelo conhecimento – ciência básica é extremamente importante, progresso científico não é possível sem ela, mas não é só isso. E não é produzir conhecimento referente a problemas reais mas muito difícil de ser aplicado – senão fica um conhecimento teórico que não vai gerar frutos práticos. Claro que tudo isso é importante; mas é pra isso que somos pagos, simplesmente pra satisfazer a nossa curiosidade científica?

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Sugestões de kit de primeiros socorros pra campo

Fiz a lista abaixo com base nesta lista aqui, neste curso aqui, e na minha própria experiência de campo como ecólogo (indo a campo desde 2005). Espero que lhes seja útil!

Sim, isso adiciona peso. Sim, já temos que carregar equipamentos pesados. Sim, é raro precisarmos de grande parte dessas coisas. Mas é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter 🙂

Disclaimer: Esta lista não pode nem deve ser considerada um conselho profissional referente a primeiros socorros, não tenho formação na área. Recomendo fortemente fazerem cursos de primeiros socorros voltados para áreas remotas e procurarem informações em fontes mais confiáveis.

Lembrando que medicamentos devem ser prescritos por médicos. Nesta lista tempos apenas equipamentos gerais e de primeiros socorros.

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Recomendações para discentes

Este é um texto direcionado principalmente para discentes de pós-graduação, mas acho que se aplica à graduação também. E provavelmente vocês não vão gostar muito do que escrevi (You don’t know the power of the Dark Side!); se se identificarem com as críticas, isso pode indicar necessidade de repensar suas escolhas, atitudes, modo de agir… Se não se identificarem, pode ser um indicativo que está tudo de boa (mas é possível estar tudo de boa?).

Não faz tanto tempo que eu mesmo estava na pós-graduação, e atualmente, como pós-doc, eu ainda tenho um contato intenso com discentes. Então, acho que tenho coisas pra falar…

Vou começar com três premissas que creio geralmente serem verdadeiras…

  • Você é o elemento mais fraco na Academia. Não é uma questão de ser certo ou errado isso – essa é a realidade. Desligar um aluno é muito mais fácil e traz menos consequência do que descredenciar um docente; demitir um docente é muito, muito mais complicado. E desligamento de discentes trazem menos consequências à universidade e ao programa de pós-graduação (PPG).*
  • Você é, no geral, o elemento menos experiente. Existem excessões; alguém com experiência profissional extensa é mais experiente do que um docente recém-contratado. E você provavelmente tem mais experiência em alguns assuntos. Mas no geral, docentes e o pessoal técnico-administrativo tem mais experiência no meio acadêmico.
  • A pessoa com mais interesse na sua formação é você. Claro, seu orientador ou sua orientadora tem interesse pessoal na sua produção científica e via de regra também na sua formação pessoal. Mas o principal interesse é o seu – se você for reprovado na defesa, ou numa disciplina, ou simplesmente não aprender o que você poderia ter aprendido, é você quem vai enfrentar as consequências. Claro, quem te orienta não vai ficar feliz, e não acredito que haja docentes que gostem de reprovar pessoas (mesmo que muitas vezes pareça), e claro, haverá algumas consequências – mas pra você tanto as consequências quanto os ganhos serão maiores.

Dito isso, vamos às recomendações…

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