Sobre perdas, e sobre empatia, no meio acadêmico

Por que estou escrevendo este post, e por que estou escrevendo este post hoje? É uma boa pergunta, na real; deve fazer, o que, dois anos? que estou pensando em escrever isso; desisti e des-desisti mais de uma vez, e sempre fiquei esperando uma data melhor pra escrever sobre isso; mas aí quando a data chegava, eu não queria. Existem coisas que são difíceis de serem escritas – mas que precisam ser escritas mesmo assim; porque se nunca ninguém as escrever, a única forma de ter contato com elas vai ser por experiência própria; que é uma experiência que é provável que tenhamos na vida, ou que conheçamos alguém que a tenha, e talvez – ênfase no talvez, porque cada experiência é única – ter lido as palavras de alguém que passou por algo pode ser de alguma valia. Ou talvez não.

E às vezes escrever sobre algo pode ser um rito de passagem que nos permita lidar melhor com aquilo; mas é difícil. Anos podem ser necessários pra conseguir escrever sobre algo, e existe a possibilidade de eu apagar tudo e não publicar isso antes de terminar (se você está lendo isso, aparentemente eu decidi publicar no fim das contas).

Sim, estou falando de quando se perde alguém próximo; não sobre como lidar com isso, porque anão acho que duas pessoas lidariam com a mesma perda da mesma forma; mas, experiências são importantes e relatar elas também pode ser. E talvez você conheça alguém que tenha passado por uma perda recentemente; minha esperança é que minhas palavras possam ajudar a entender um pouco sobre o que a pessoa pode estar passando. Ou talvez não, porque cada experiência é única…. Então, vou aqui falar sobre a minha e como (não) consegui lidar com ela. Meu objetivo é, basicamente, tentar mostrar como é passar por uma perda, e acho que também escrevo porque nós esquecemos tanto do lado humano da vida acadêmica e das experiências que pessoas tiveram – mas são coisas importantes, que definem o que alguém faz e o que alguém é. E é importante falar disso, e pensar nisso, inclusive porque nunca temos como saber o tipo de coisa pelo que alguém pode estar passando e é interessante ter em mente as diferentes possibilidades. Empatia é importante, e não é trivial quando não se discute certas coisas no mundo.

Sinta-se livre para não continuar lendo 🙂

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Os sons da natureza, ou a natureza dos sons?

Este é um post convidado, escrito por Tamires Fernandes Oliveira, Bióloga e Especialista em Ensino de Ciências pela UERJ, mestranda em Ecologia e Conservação da Biodiversidade pela UESC, “apaixonada pela ciência, e, não menos importante, louca por baleias, rs.” Ela também tem um instagram bem legal sobre baleias, recomendo! @baleionautas Tamires, muito obrigado pela contribuição! 🙂

Você já parou para ouvir os sons à sua volta?

Experimente um dia, fechar os olhos e observar os sons. Talvez escute até o seu coração batendo. Se você ouvir um riacho, o barulho do vento, pássaros e insetos cantando – onde você está?

Na floresta!

Agora, se você ouve buzinas, vozes de muitas pessoas ao mesmo tempo, motores de carros – onde você está?

Na cidade!

O som é uma fonte rica de informação. Nós conseguimos identificar o ambiente ao nosso redor através da audição.

A comunicação acústica evoluiu em diversos grupos animais, como insetos, aves, anuros e mamíferos, e a ciência que estuda a comunicação animal através dos sons é a bioacústica.

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O que Cavaleiros do Zodíaco nos ensinam sobre Fazer Ciência

Estou assistindo Cavaleiros do Zodíaco (tinha assistido vinte e cinco anos atrás, então acho que não conta como reassistir), e, eu sendo eu, tem me feito pensar em várias coisas relacionadas ao nosso Fazer Ciência – na verdade a consolidar melhor algumas ideias – e, eu sendo eu, é claro que isso ia virar um post no blog né 🙂

(E é claro que vai ter alguns spoilers; especificamente, spoilers até a Casa de Virgem, que é até onde assisti até o momento).

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Metacomunidades

Este é um post convidado, escrito por Gabriele Tavares, graduanda em biologia pela UFBA e cuja iniciação científica eu oriento 🙂 A introdução do relatório ficou bem legal, e pedi para ela a transformar em um post; depois fiz apenas algumas pequenas mudanças antes de publicar e aqui está!.

O conceito de metacomunidades é novo na área da ecologia, tendo sido muito estudado nos últimos anos e é considerado importante para conhecer quais elementos podem condicionar a estrutura e diversidade de uma comunidade. A definição de metacomunidades está ligada ao conceito de metapopulações, que são populações que habitam em diferentes manchas de habitat, podendo ser duas ou mais, e estão interligadas por dispersão[1]. Sabendo isso, pode-se dizer que metacomunidades são comunidades localizadas em manchas de habitats distintas, conectadas por dispersão [1][2]. Representantes de todas as espécies não necessitam estar presentes em todas as manchas de habitat, cada mancha pode ter sua própria comunidade (vegetal ou animal) já que as características ambientais das mesmas podem ser distintas, fazendo com que o crescimento ou a permanência de determinadas espécies não seja favorável naquele espaço.

A teoria de metacomunidades é principalmente conceitual, com relativamente menos definição empírica. Através dela surgem novas formas de buscar compreender e descrever padrões de distribuição, interação e abundância de espécies, isso em uma escala maior que a teoria mais habitual de comunidades[2].

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A Arte de Orientar

Este é um post colaborativo sobre a arte de orientar bem. Para este post, convidei algumas e alguns professoras e professores que admiro e considero (e outras pessoas também consideram, conforme ouço por aí) excelentes orientadoras/es. Pedi para escrever em torno de dois parágrafos; algumas pessoas escreveram mais, o que tornou o texto mais interessante ainda! Então agradeço por escreverem!, e coloco abaixo as diferentes visões sobre como ser um bom orientador ou uma boa orientadora, finalizando com algumas palavras minhas.

Prof. Francisco Barros – Laboratório de Ecologia Bentônica, UFBA

Não existe uma fórmula mágica. Estudantes e orientadores são pessoas, e cada um é uma pessoa diferente. A interação é variável, seja flexível. 

Tenha uma conversa franca, antes de “fechar o contrato” de orientação. Explique como você orienta e qual o perfil desejável para que a orientação funcione. 

Seja transparente ao longo de todo o percurso, caso aconteçam desconfortos converse (nesse caso evite e-mails e mensagens de WhatsApp) e explique os motivos do desconforto. Deixe o orientando confortável para fazer o mesmo. 

Seja um exemplo do que exige.

Valorize os pontos positivos dos orientandos e tenha discussões sobre ciência, em seus aspectos mais gerais, vá além do projeto. Explique as atividades relacionadas a pesquisa que você faz no dia a dia (e.g. consultorias adhoc, preparação de projetos, avaliações, colaborações).

Seja criativo e promova interação social, não obrigatória, no grupo de pesquisa.

Explique que ser um pesquisador exige muito e sempre, mas que pode ser uma carreira muito prazerosa.

Reunião virtual em tempos de pandemia
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Help me help you: um bestiário para entender erros e pedir ajuda no R

Este é um post convidado, escrito por Maurício Humberto Vancine, ecólogo e doutorando em Zoologia e uma pessoa que entende muito (tipo, muito mesmo) de R, QGIS e coisas relacionadas. Conheci Maurício durante meu doutorado, quando me infiltrei no LEEC (Lab. de Ecologia Espacial e Conservação, na Unesp), e é uma das pessoas a quem recorro quando algo não funciona no meu QGIS ou no meu Linux. Aproveitem a leitura! Ele escreveu um post muito melhor do que eu teria conseguido escrever.

Olá jovens, tudo bom? Conversei com o Pavel há um tempo sobre como pode ser complicado tentar ajudar as pessoas com dificuldades no R. Dessa nossa conversa surgiu a ideia desse post, sobre os principais erros que iniciantes [e mesmo experientes] podem encontrar no R e qual a melhor forma de pedir ajuda.

Bem, antes de mais nada, uma breve apresentação sobre minha pessoa: meu nome é Maurício [Humberto] Vancine, sou ecólogo de formação [fiz graduação em Ecologia], fiz mestrado em Zoologia e atualmente sou doutorando também em Zoologia, tudo pela UNESP, em Rio Claro/SP. Também sou caipira com muito orgulho, nasci no interior de São Paulo, numa cidadezinha chamada Socorro, e morei toda infância na parte rural da cidade. Sou ainda pai do Dudu, companheiro da Japa (Lauren), fã de músicas instrumentais e de jogos de RPG. Se quiserem saber um pouco mais sobre meu trabalho acadêmico ou trocar uma ideia, segue aqui meu site com informações de contato.

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Interpretando os resultados de um GLM

Recentemente uma amiga me pediu ajuda para interpretar o resultado de um GLM (eu já escrevi um post explicando o que são GLMs? Não? Poxa. Alguém precisa me lembrar de fazer isso. Haha), e ao dar uma explicação detalhada por email eu pensei, Ei, isso dá um post legal! Tá aqui esse post 🙂 Agradeço à Bianca Righi por ceder a tabela e os gráficos.

Enquanto eu não escrevo um post sobre o que é um GLM, vai aqui uma explicação rápida: GLM vem de Generalized Linear Model, ou Modelo Linear Generalizado. Um modelo linear é um modelo que modela alguma coisa (nossa variávei Y) como uma função linear de uma outra coisa (nossa variável X). Então um modelo linear pode dizer que quando uma coisa aumenta, a outra também aumenta; ou quando uma coisa aumenta, a outra diminui. E este aumento ou esta diminuição é linear – podemos traçar uma linha reta no gráfico para mostrar isso.

Em um modelo linear podemos também modelar como uma coisa varia em função de duas ou mais outras coisas – como nosso Y varia em função de X1, X2, X3 etc. Isso é feito de forma aditiva: valor de Y = efeito de X1 + efeito de X2 + efeito de X3. Se usarmos uma letra, por exemplo a letra greta β, para representar o efeito de cada coisa, temos que Y = β1X12X23X3. E também podemos incluir interações, que é quando uma coisa afeta o efeito de outra coisa. Por exemplo, pode ser que, sei lá, o metabolismo de dragões vermelhos aumenta com a temperatura em condições de baixa umidade, mas em condições de alta umidade este efeito desapareça (porque a alta umidade atrapalha a geração do fogo interno que estes dragões precisam pra aumentar seu metabolismo) (acho que viajei demais agora…)

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Pensamentos aleatórios sobre a descrição dos métodos estatísticos em projetos

Estive pensando sobre como apresentamos nossos métodos estatísticos em projetos de pesquisa – especificamente projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado – e tem alguns aspectos disso que acho que são bastante subótimos, por assim diz, e poderiam ser bem mais informativos (e melhores para a formação das pessoas) se mudássemos a abordagem geral de como escrevemos esses métodos.

Em ecologia, a estatística que utilizamos frequentemente é bem mais complexa do que a estatística que aprendemos na graduação – ou na pós-graduação; a não ser que façamos graduação ou pós-graduação em estatística! Mas aí provavelmente não estaríamos desenvolvendo um projeto de ecologia. (Acho que não conheci nenhum estatístico que estivesse fazendo pós-graduação em eco nos PPGs com que tive mais contato). Por exemplo, vejam o artigo “The mismatch between current statistical practice and doctoral training in ecology”, de Touchon e McCoy, publicado em 2016 na Ecosphere – podem acessar por este link aqui, o acesso é aberto. Eles mostram como a estatística ensinada nos cursos de doutorado frequentemente não é a mesma estatística usada nos artigos. Pela minha experiência, frequentemente usamos modelos generalizados lineares e aditivos, modelos mistos, análises por permutações e até estatística Bayesiana. São coisas que não aprendemos; e mesmo as coisas que aprendemos – ANOVA, regressão, teste t – frequentemente aprendemos de forma superficial.

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Mais um texto sobre réplicas e pseudoréplicas

Uma versão deste post em áudio está disponível clicando aqui.

Digamos que você decidiu estudar como as características funcionais de unicórnios são afetadas por características do ambiente e como elas se relacionam entre si. Mas aí você percebeu que a sua área de estudo é muito pequena pra estudar unicórnios, e aí você decidiu estudar fadas. De modo que agora você está estudando como as características das fadas encontradas em uma área se relacionam com o ambiente e entre si.

E é claro que antes de planejar seu estudo você foi atrâs de ler sobre desenho amostral, réplicas e pseudoréplicas… Como assim você não leu sobre isso?! Ah, uffa. Levei um susto aqui. Bom, caso por algum motivo da vida você não tenha lido sobre isso, no final deste texto tem referências para artigos que você precisa ler. Precisa sim. Sim. Precisa. Mesmo. Precisa ler, mesmo. Começando pelo artigo do Hurlbert (aquele que fala de intrusões demoníacas), mas não parando por ele. Bom, se quiser ler esse post antes, tudo bem, mas leia os artigos ein!

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Ciência, Amazônia e o chamado para a aventura

Versão em áudio disponível clicando aqui. Este é um post convidado, escrito por Ivana Cardoso, licenciada em ciências biológicas e estudante de mestrado do PPG Ecologia e Conservação da Biodiversidade da UESC. A convidei para escrever esse texto depois de algumas conversas por email sobre o blog, nas quais pensei “Olha, essa pessoa poderia escrever um texto bem legal!” Eu estava certo! 🙂

Talvez você esteja se perguntando quem sou eu, de onde vim e por que raios estou escrevendo um post para o blog. Particularmente, eu não sou alguém importante, não venho de uma faculdade renomada e de uma cidade que você já tenha ouvido falar. Sou de uma cidade pequena no Rio Grande do Sul, chamada Júlio de Castilhos, venho de um IFFar, Instituto Federal Farroupilha, onde cursei Licenciatura em Ciências Biológicas. Então, o que possivelmente eu estaria tentando escrever aqui no blog? Bom… neste post, venho escrever um pouco sobre minha jornada do herói (como diz Marco Mello). Quando ingressei na faculdade, no ano de 2015, eu nada sabia sobre ciência, artigos científicos e rede de contatos, mas Gandalf já dizia que nem mesmo os muito sábios podem ver todos os fins.

Meu chamado para aventura foi através de uma seleção para um voluntariado no Amazonas, aquele que você faz, mas não tem muita esperança de ser selecionado. Foi assim comigo: me inscrevi, fiz a seleção e recebi com muita surpresa, uma semana depois, a notícia de que tinha sido escolhida. Agora, me restava decidir se deixaria minha família e partiria para fora do meu estado pela primeira vez, com pessoas que eu não conhecia. Eu decidi: tranquei um semestre de meu curso, fiz um seguro de vida (para desespero da minha mãe haha) e pensei, como Bilbo Bolseiro, estou indo em uma aventura!

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