Sobre ser cientista e mãe

Este é um post convidado, escrito por Eliana Cazetta, professora na UESC. Eliana foi minha supervisora de pós-doutorado e uma pessoa muito importante para a minha formação de cientista. Aqui ela escreve um pouco sobre como é ser cientista e mãe; ano passado teve um outro post bem legal sobre este assunto, recomendo que leiam também!

Recebi esse convite super especial do Pavel para falar sobre ser cientista e mãe. Inicialmente pensei em escrever algo para motivar as pesquisadoras e sobre como a maternidade me fez uma cientista melhor. Como aprendi a otimizar o tempo de trabalho o máximo possível e, sem tempo pra procrastinação, acabei de certa forma me tornando mais produtiva.

Porém, gostaria de aproveitar essa oportunidade para falar sobre alguns assuntos que apenas recentemente começaram ganhar destaque. Também queria enfatizar como mudei de opinião ao longo do tempo sobre eles.

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Programação em R: loops for – parte 2

Continuando o tema da semana anterior (se você não leu, leia antes de ler este post de hoje), hoje mostrarei como usar loops para analisar diversas variáveis automaticamente.

Por que precisaríamos fazer isso? Bom, pode ser que o objetivo do seu estudo é descobrir quais variáveis ambientais afetam uma determinada plantinha espécie. Por exemplo, pode querer avaliar como esta plantinha ou bichinho espécie é afetada por temperatura média do local em que vive, estrutura da vegetação, quantidade de floresta remanescente, etc. Neste caso você vai fazer uma única análise.

Mas pode acontecer que você quer saber como diferentes plantinhas espécies ou outras coisas variáveis são afetadas pela mesma variável explanatória. Por exemplo, no meu mestrado, eu queria saber como altura da vegetação, temperatura do ar, quantidade de gramíneas invasoras e outras variáveis são afetadas pela distância até a borda do remanescente florestal (ou savânico – trabalhei no cerrado). A variável explanatória é sempre a mesma, mas as variáveis-resposta mudam. Poderia eu fazer uma PCA ou outra análise multivariada? Poderia. Mas o meu interesse era em cada variável individualmente, não no seu conjunto, de modo que eu precisava fazer várias análises.

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Programação em R: loops for – parte 1

Digamos que você precisa repetir um procedimento no computador umas cinco vezes – talvez rodar a mesma análise sobre cinco conjuntos de dados. O que você faz?

Provavelmente repete o procedimento cinco vezes e faz fazer outra coisa da vida, né? 🙂

Mas digamos que você precisa repetir um procedimento vinte ou trinta vezes. E agora?

Talvez a tendência seja pensar “Que tédio! Mas vamos lá né.”, repetir o procedimento e depois, talvez já com um certo grau de irritação, ir fazer outra coisa da vida.

E se forem cem vezes? Dá pra passar um dia rodando análises de forma repetida, mas será este o melhor investimento do nosso tempo?

Neste post vou mostrar com usar loops (ou seja, procedimentos repetitivos) em R para automatizar uma tarefa. Especificamente, vou mostrar como usar a estrutura for para repetir um procedimento um determinado número de vezes. Darei dois exemplos: um gráfico de bolinhas que não serve pra nada a não ser demonstrar loops; e uma análise por permutações. Semana que vem darei mais dois exemplos: uma regressão com diversas variáveis-resposta no mesmo objeto; e uma análise de variáveis que estão em arquivos diferentes no computador.

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Vida acadêmica: a minha história

Depois de uma série linda e sensacional de posts sobre vida fora ou meio-fora-meio-dentro da Academia – sério, se não leram esses posts ainda, leiam; são os últimos antes deste -, me pareceu uma boa ideia escrever sobre a vida dentro da academia. E como toda experiência é uma experiência pessoal, vou aqui contar a minha. Acho que a minha trajetória na Universidade pode ser considerada como uma trajetória de sucesso; e acho que ela é um pouco diferente daquilo que costumam indicar para uma trajetória de sucesso em alguns aspectos – mas também um tanto similar em tantos outros.

E bom, quem nunca quis escrever uma auto-biografia, né? 🙂

Resumindo: minha vida foi uma grande emenda, emendando ensino médio – graduação – mestrado – doutorado (com uma especialização no meio) – pós-doc – professor adjunto. Emendar pós-doc no doutorado não era o único plano – eu tinha pensado em ficar um tempo de boa, traduzindo artigos – mas aconteceu. E emendar pós-doc com vida de professor foi inesperado, mas foi, digamos, bem dahorinha, mesmo. 🙂 (Sim, eu uso o termo dahorinha no sentido de Uhuuuuuul que sensacional meu woooooow, rs)

(Aviso: texto longo à frente; não tive tempo de torná-lo mais curto e nem de revisar a ortografia.)

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Doutorado e consultoria, ou Como matar um coelho com duas cajadadas

Este é um post convidado, escrito por Jessyca Luana Teixeira, e (até o momento) o último na série de textos sobre como é a vida fora da Academia. Jessyca é doutoranda em Ecologia e Conservação da Biodiversidade na UESC, trabalhando com biologia marinha, mas por um bom tempo trabalhou também com consultorias – inclusive na caatinga, bem longe do mar. Pedi para ela escrever um pouco sobre como foi conciliar as duas coisas e ela gentilmente concordou 🙂

Todos sabem que um doutorado não é tão simples obter, requer tempo, dedicação e dinheiro. Assim eu pensei que seria os meus principais obstáculos no doutorado. Fui aprovada, que legal!! Mas sem bolsa e com previsão incerta de ter. Veio aquele desespero, continuar ou desistir sem bolsa? Venho de uma família de muitos filhos e poucos recursos financeiros, não seria uma opção pedir ajuda financeira aos meus pais. Poderia trabalhar, claro!! Mas a julgar que o doutorado requer muito do aluno, considerei não dar conta. Mas como adoro desafios (e não tinha muita escolha) aceitei arriscar, pois não vivemos de fotossíntese (infelizmente) e precisamos pagar as contas.

No período de um ano sem bolsa, forneci consultoria ambiental para empresas diferentes. Após essa experiência tenho pontos a levantar sobre.

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Dores e delícias da vida fora da Academia

Este é mais um post convidado da série sobre a Vida Fora da Academia. Quem não viu os outros – basta olhar os últimos posts, a série está sendo ininterrupta. Talita Sampaio foi minha colega de mestrado e doutorado na UFSCar, e agora escreve um pouco sobre como está sendo a vida depois do doutorado. Boa leitura!

O final do meu doutorado (2015) foi bastante doloroso. Eu amava meu trabalho, o campo era incrível, o processamento dos dados coletados era como um trabalho de detetive, a análise de dados era divertida, e os resultados refletiam o que eu via acontecer na Natureza. Infelizmente, os moldes atuais da academia limitam nosso tempo em 4 anos; por mim, ficaria mais uns 4 anos fazendo doutorado.

Obviamente, o final do doutorado coincide com o fim da bolsa, mas as contas pra pagar não deixam de existir. Por dois anos após a defesa, e muitas tentativas sem sucesso em concursos públicos, tive trabalhos, mas nenhum emprego. Isso acabou culminando na escolha de voltar para a casa dos meus pais. Não foi uma escolha fácil, mas foi um período importante para refletir sobre diversos tópicos, incluindo a possibilidade de encarar um emprego que não era o dos meus sonhos – o de docente em universidade pública – visto que com as mudanças políticas dos últimos anos, os concursos para docente de ensino superior escassearam, de modo que os poucos concursos que tem acontecido são muito concorridos. Neste período, também tentei bolsas de pós-doutorado fora do país, mas não obtive sucesso. (Nesta fase, a síndrome da impostora foi minha companheira todos os dias).

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Uma vida não-acadêmica dentro da Academia: técnica no INPA

Mais um post convidado! Renata Vilar, bióloga e mestra em Ecologia, conta da sua experiência trabalhando como técnica no INPA, em Manaus. Bem interessante o relato dela; e interessante inclusive para pensarmos como, ao lermos – ou até publicarmos – um artigo científico, muitas vezes nem pensamos no trabalho das pessoas que viabilizaram a coleta dos dados e, assim, a realização da pesquisa.

Em primeiro lugar, muito obrigada, Pavito, pelo espaço e pela iniciativa de discutir sobre esse tema!

Eu sou a Renata, moro em Manaus e estou trabalhando como bolsista de um projeto dentro do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas), onde minha função, atualmente, é ajudar na parte de organização dos campos para coleta de dados. E eu também participo de coletivo independente (Coletivo Caxxyri) no bairro em que moro (próximo ao INPA e à UFAM – Universidade Federal do Amazonas), onde atuamos/queremos atuar com agricultura urbana, economia solidária e educação popular.

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